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Homem-Aranha: O Herói de Todos os Públicos

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4 de set. de 2026

Capacete, Barras, Góticos e Lasers

Uma vez essa semana eu fui segurar um rolo de fio pra roçadeira, e tava com mão cheia porque o armazém tava fechado e o que eu devia guardar eu tava carregando, fui mão de alface e o capacete de moto que eu tava levando caiu e desprendeu, pelo menos dava pra encaixar de volta, meu colega Marcos ajudou a montar a lente de volta.

Mas fora isso, não acho que essa semana vá acabar tão ruim, só tá o mesmo corrido de sempre. De qualquer forma, tô aproveitando o trabalho ser no parque pra, pelo menos nessa metade da semana, fazer barras pra poder conseguir recuperar essa habilidade que eu só tinha quando era criança, e também vi no meio do processo que uns ossos do meu braço tanto esquerdo quanto direito estavam estranhos, a ulna no caso estando deslocada e com o punho um pouco mais pro lado que o normal, vou continuar fazendo barra também pra confirmar essa correção no meu corpo.

Na Quarta-Feira à noite meu pulso e punho tavam doendo, na Quinta-Feira de manhã ficou mais confortável até que antes do exercício, e na Quinta-Feira eu consegui fazer barra. Inventei de fazer barra rápido e veio um Golden Retriever (daqueles que o dono adota cachorro sangue-puro e leva pra passear por motivo de saúde e hobby) em minha direção achando que eu tava brincando kkkkkkkkk

Tem um youtuber que eu vejo, e que ele é católico, e numa live alguém falou no chat sobre góticas e garotas palhaço não serem algo católico, e o youtuber foi argumentar que góticas são algo católico por representarem memento mori, e garotas palhaço são também válidas no catolicismo porque representam memento vivere, e isso me deu uma ideia de pesquisar sobre góticas (porque das palhaças eu já falei antes).

O termo gótico se referia antes à arte e arquitetura francesa e germânica (começando no século XII em Île-de-France, a sua evolução pra associar ao macabro tem tanto a ver com a associação dessa arte a antigos godos (bárbaros, antes pagãos, mas depois convertidos a vertentes cristãs) na Renascença, e com reformas buscando tornar a Igreja e suas artes em algo mais luminoso.

Na literatura, a associação de góticos a escuridão, mortalidade e terror vem de O Castelo de Otranto de 1764, um livro sobre uma família em extremo desespero depois da morte de seu filho mais fraco num acidente e o início de uma profecia que diz condenar a família moradora. Numa arte que envolvia castelos escuros, masmorras pra prender os condenados, catacumbas cheias de ossos, gárgulas (estátuas de dragões e demônios com o simbolismo de que o mal não é bem-vindo dentro das igrejas) e cemitérios (que levaram a histórias de vampiros, lobisomens e fantasmas), era uma fonte ideal para terror.
  • A Abadia de Saint-Denis (dedicada a Denis de Paris) foi encomendada por Dacoberto no século VII e sua reforma entre 1137 e 1144 é considerada início dessa estética. Igrejas e castelos eram construídos com detalhes para representar poder, beleza, respeito e também a dedicação dos operários
    • Não inventem essa palhaçada de "ah o pessoal analfabeto constrói melhor que engenheiro de hoje" porque os arquitetos e engenheiros já tinham a alfabetização e ferramentas disponíveis da época e havia um esforço, não só pelo dinheiro, mas pela fé por trás do trabalho, enquanto hoje em dia engenheiros são tão desvalorizados que eu tenho até uma webamiga formada em engenharia e que ela tava desempregada quando ela contou sobre
  • A literatura gótica incluía por exemplo o Vampiro de Polidori em 1816, Drácula de Bram Stoker em 1897, O Quadro de Dorian Gray (um livro sobre um homem que fez pacto com o demônio pra viver mais tempo, mas a sua alma selada numa pintura vai se deteriorando) por Oscar Wilde em 1890, até por exemplo Carmilla (um romance lésbico entre a protagonista Laura (uma humana reprimida pelo próprio pai) e a vampira Carmilla) de Joseph Sheridan (que por sinal reparei que, mesmo o Polidori, que começou a ideia de vampiros nobres safados, sendo um britânico, os irlandeses popularizaram bem mais essa ideia e um deles até fez uma vampira lésbica), assim como histórias de lobisomens como o Lobisomem de Londres.
  • Enquanto o rock gótico aproveita o romantismo na letra e significados, e da parte macabra e envolvendo a morte (incluindo a inspiração de cabelo e maquiagem em zumbis, vampiros e fantasmas - Corpse Paint), e começou no Reino Unido com bandas como Siouxsie and the Banshees (varia se começou em 1976 ou em 1978), Joy Division (1976), The Cure (1978) e The Sisters of Mercy (anos 1980), e começou praticamente junto com aquele começo do punk mais ao estilo Ramones, mas ainda herdando o estilo de instrumental mais pesado e mais similar ao heavy metal.
  • Warhammer 40k tem certa inspiração na estética gótica pro tema do fanatismo religioso, crítica social a regimes autoritários e parte do enredo envolver uma guerra eterna ao Caos. Os próprios Titãs, ditos como maiores mechas do Imperium, relíquias da Era das Trevas, têm templos extremamente adornados e são parte da força religiosa do Imperium.
Já falei em outro post sobre eu ter trocado de TV, mas sendo sincero, é só o primeiro passo porque o que realmente vou precisar trocar depois é a placa de vídeo. É um PC de 2015, mais novo que eu pensava mas pra muitos ainda jurássico, lembro até hoje das vezes que meus primos Tharles e Stefany iam pra minha casa usar meu PC emprestado pra jogar LoL (seja pelo hobby ou pra avançar em level no jogo), minha prima hoje em dia largou o LoL (pelo que eu lembro), mas o meu primo eu realmente não sei se ele largou mas sei que ele investe parte do dinheiro em trocar e melhorar peças do PC dele (piada com barco de Teseu: ... o PC dele ainda é o mesmo PC depois das modificações?), e bem, por pura curiosidade eu tava pesquisando sobre o tanto de energia que diferentes lâmpadas têm, e geram, e...
  • Lâmpadas incandescentes gastavam 60 watts, como usava metais quentes então precisava ter o bulbo da lanterna com vácuo ou gases nobres pra não reagir termicamente.
  • Lâmpadas fluorescentes gastavam 15 watts.
  • LED gasta 9 watts.
    • LED vermelho foi inventado por  Nick Holonyak Jr. em 1962 e foi o primeiro LED com cor inventado, composto de fosfeto de de arseneto de gálio.
    • LED verde foi inventado por Egon Loebner e Rubin Braunstein em 1958, mas otimizado em 1970, composto por fosfeto de gálio.
    • LED azul foi inventado por Shuji Nakamura, junto com Isamu Akasaki e Hiroshi Amano e o Shuji chegou a ganhar o Prêmio Nobel de Física em 2014 por ter ajudado em algo que tava faltando, e que usa fosfeto de gálio.
    • Assim como o neon, essas misturas químicas emitem cores diferentes em reação à eletricidade emitida.
  • OLED é mais forte, de 10 a 12 watts (diferença minúscula, mas é mais forte kk)
  • TV's modernas usam QLED (que usam lâmpadas de plasma brilhando pixel por pixel e formar a imagem), esses variam de 80 a 140 watts dependendo do tamanho.
Também falando em tecnologias e estética, tinha uma tentativa de abolir testes em animais, e meu irmão achava paia essa busca de abolição e tentou argumentar que era ridículo todo esse combate a toda essa cadeia de procedimentos, e que testes em animais eram necessários mas... O teste em animais só tá sendo combatido no ramo de cosméticos.
 Testes em animais para fins médicos (remédios e vacinas), agrícolas (pesticidas), e de segurança química (produtos de limpeza) não foram abolidos, só tiveram mais regulamentação e também mais eficiência, evitando torturar os animais à toa ou por resultados muito falhos, enquanto o teste pra cosméticos não tem utilidade pra sobrevivência humana.
  • Maquiagens, perfumes, produtos pra cabelo e pele, já tinham seus resultados notáveis há bastante tempo e são uma prioridade baixa demais para dito sacrifício científico.
  • Foram descobertos testes sem uso de animais (com peles artificiais, simulação em computador, ou também organ-on-a-chip, ou human-on-a-chip).
  • Países estavam aos poucos começando a proibir e até a ONU pressionou também, eliminando o que era colocado como tradição.
Também que os testes nesses animais eram extremamente cruéis e até estranhos. Até testes em ratos pra medicina pelo menos tinha os animais cobaias tendo uma melhoria corporal mesmo que temporária (como ratos vivendo mais com teste de transfusão de sangue, ou ficando mais inteligentes com cérebro híbrido de DNA humano, ou ratos ficando imunes a câncer com simbiose de bactérias intestinais de sapos), mas os testes que eu vi que envolvem animais e cosméticos soam apenas como querendo que os animais se ferrem muito, como:
  • Testes de Draize: O nome vem do toxicologista John Draize, que fazia testes de se tais substâncias usadas podiam fazer mal pros olhos ou pra pele. Pode ter tido umas descobertas, e se for parar pra pensar, como foi algo inventado em 1944, era considerado "leve" em comparação a grupos como na Alemanha (que fazia experimentos em judeus) e no Japão (que incluía a Unidade 731).
    • Nos olhos era para testar se xampus e delineadores podiam causar irritações, alergias, vermelhidão, úlceras ou se o animal ficava cego, e coelhos não choram, não conseguindo nem ter uma defesa natural para isso.
    • Tambem a pele era raspada até ficar bem exposta, pros testes na pele e se causaria queimaduras, descamações, queimações, etc.
    • Como pode ver, ser mais leve que testar isso em humanos não significa que é algo leve de fato, e sim, o Coelho Ralph do curta de 2021 passa pelos dois testes, incluindo nos dois olhos.
  • LD50: Dito teste envolve forçar os animais a engolirem tais cosméticos, ou injetar na veia deles, pra ver se esses produtos fazem mal ao serem ingeridos, obviamente pode ter a preocupação por ingestão acidental, mas não justifica o suficiente ir colocando animais pra ingerirem de propósito até ver se tem risco de 50% de mortalidade como é nesse teste.
  • Também havia um método pra testar (seja ingerindo, inalando ou na veia) dentro desses animais até descobrir possíveis danos crônicos, algo um tanto mais cruel que os outros que podiam pelo menos já mostrar os resultados rápido, já nesse teste exigia um longo prazo de sofrimentos.
Essa Sexta-Feira à tarde o aparelho de bater ponto dos turnos não tava funcionando logo quando eu cheguei e ainda nem tinha como eu ligar o computador da diretoria porque o negócio usa a senha do professor, então eu tive que avisar pras secretárias, e esse parágrafo não era pra ter tanto a ver com o que eu falei além de um desabafo de que eu sinto que tô com um tipo de azar.

Até mais!

27 de ago. de 2026

Vârcolac, Eslavos e Guerras

O tal webamigo meu que tava falando de lobisomens até me inspirar pra fazer o post anterior me falou de lobisomens da Transilvânia. Pesquisando assim no Google, "lobisomem Transilvânia" eu não achei, então pesquisei sobre monstros romenos.
Na mitologia romena inclui monstros como:
  • Vârcolac: Uma categoria de lobisomem da Transilvânia com detalhes de vampiro, seja orelhas e olhos de morcego ou parte deles serem mortos-vivos profanos (cadáveres de quem automorreu ou não foi batizado quando tava vivo), e eles federem a sangue ou a carniça. Eles também têm a ver com os lobisomens do jogo The Quarry mas provavelmente não foi baseado nesse lobisomem porque The Quarry é um jogo britânico.
  • Pricolici: Um tipo de fantasma de lobisomem, e que ataca de forma silenciosa, brutal e provavelmente sumirem mais facilmente pela forma espectral.
  • Também vou falar de vampiros já que falei de Transilvânia.
    • Vlad III (1431-1476): Inspiração do Drácula e do Conde Orloc de Nosferatu, tendo sido um príncipe da Valáquia (que no caso era uma região vizinha da Transilvânia), conhecido como o Empalador por ter sido sua execução favorita principalmente contra inimigos otomanos. Seu título era Draculea, antes algo filho do Dragão (já que o Vlad II era Dracul, ou Dragão), mas Draculea passou a significar filho do Demônio devido à brutalidade desproporcional.
    • Strigoi: Vampiros brutais, animalescos e bem mais monstruosos física e mentalmente, com olhos azuis brilhantes e cabelo vermelho ou branco, provavelmente baseado em superstições gregas de que ruivos voltavam à vida como vampiros, alguns têm detalhes de pássaros (entre elas corujas) e até de ratos e lobos.
  • Provavelmente eu "esqueci" porque eu já teria incluído como lobisomens do Leste Europeu ou então eslavos, e porque Transilvânia é mais conhecida pelos vampiros.
Outras feras parecidas antes que eu esqueça:
  • Besta de Gevaudan: Um criptídeo em forma de lobo que teria supostamente aterrorizado o sul da França em 1764, e tendo 100 vítimas, supostamente morto após uma caça, mas pode não ter necessariamente existido e sim sido relato exagerado dos locais.
  • Lobisomem do Uncanny Project: Chamado de Seth, é um monstro desenhado e modelado por Molly Brown, também conhecida como deadlymelodic nas redes sociais, e com uma forma mais como a dita em lendas medievais, de ser deformado, sem pelos e com mais detalhes humanos que de lobo.
Fora isso, tem algo notório nos jogos do Leste Europeu que é o quanto eles capricham no terror, com adição que são únicos na temática deles, isso principalmente baseado em serem uma região muito afetada pelas guerras do Século XX.
 Pode não ser simplesmente tradições cristãs (porque a arte bizantina e da Ortodoxia Oriental no geral são bem lindas, brilhosas e sobre entidades boas), e nem pagãs (romanos, gregos, celtas e germânicos também têm lendas medonhas mas que inspiram desde histórias de herói a contos de fada fofinhos), assim como a temática, mesmo parecendo, não se combina com a de HP Lovecraft.
  • Na real o terror eslavo é até oposto ao terror cósmico de um jeito que uma visão rápida e superficial não percebe.
  • Lovecraft retratava o terror sobre a insignificância humana perante a entidades infinitas ou no mínimo superiores e externas à humanidade e à Terra, e um contrapondo ao Antropocentrismo que era regra no século XIX.
  • Já o terror romeno e eslavo fala muito do terror mais próximo do humano, de humanos decaindo com forças desconhecidas e esses humanos serem o perigo principal, e que não envolve ameaças alienígenas ou tecnologias complexas demais  mas feras da floresta e magias proibidas, tipo a Baba Yaga.
Assim como o Leste Europeu sofreu muito com as Grandes Guerras e a Guerra Fria, incluindo frentes e dominações nazistas e depois soviéticas, o brutalismo estético que era pra construir prédios baratos e resistentes mas, junto do regime socialista (fome, Gulags e tirania) e a forte censura contra influências capitalistas e religiosas, levou a um trauma e depressão.
 A religião, quando bem gerenciada e bem cuidada, é a responsável pela cultura, ordem social e jurídica, e às vezes medicina física (como as Igrejas fizeram universidades e hospitais que duram até hoje) e emocional (aquele tipo de esperança positiva de que as coisas vão melhorar ou têm como melhorar, o que levanta a moral dos civis contra desafios), e você tirar isso mas troca por uma idolatria pelo Estado, pelos soldados e pelos líderes, você vai deixar uma galera insegura, não só pela falta de segurança física, mas por estarem proibidas até do refúgio espiritual. Se a religião era o ópio do povo como Marx dizia, não pareceu algo ruim quando um maranhense é pobre e "dopado" pela fé dele ele é mais feliz e resistente que um pobre na Tchecoslováquia que nem tem mais o meio de "se enganar" que vai ficar tudo bem.
 Fora isso, antes de explicar sobre as Grandes Guerras quero também explicar a etimologia de escravo.
  • Sumérios chamavam de Sag (cabeça; tipo cabeça de gado pra definir unidades bovinas), ou Arad (escravo masculino) e Geme (escrava feminina) para capturados de povos saqueados e então usados pra trabalho forçado.
  • Antes os gregos chamavam de andrapodon (pés de homem; pra definir escravos humanos que são bípedes e diferir de animais usados pra trabalhar em campo (tetrapodon, ou quadrúpedes)), e hilota (algo como conquistado, e eram geralmente servos públicos do Estado espartano, usados como escravos camponeses enquanto homens espartanos só podiam ser soldados ou políticos).
  • Na Idade Média, tinha os servos (do latim servus), que eram camponeses e outros operários que vinham de "brinde" dos terrenos, eles não eram pagos (pelo contrário: a comida plantada ou cortada pelos camponeses e manufaturas feitas pelos artesãos já eram impostos muito caros pra sustentar a nobreza, parte da mortalidade era fome e daí surgiu o costume dos rurais terem tantos filhos).
    • "Vilão" tem sua etimologia em villanus, que se referia a pessoas que viviam no campo incluindo camponeses com mais força e dinheiro que viravam cavaleiros, o termo se referir a personagens malignos vem justamente da péssima reputação de se morar no campo.
  • Também na Idade Média era comum um "mercado" de escravos por nórdicos, germânicos, piratas vikings, italianos e muçulmanos capturando e usando pessoas eslavas (do Leste Europeu e Oeste da Rússia, incluindo Sibéria), e eslavo e escravo têm a etimologia em sclavus (que era tipo a mistura das duas palavras e em latim).
    • Se você for ver, não é de hoje os caras querendo até de mais os eslavos, como o Arthur do Val, teve antes com a Simone de Beauvoir que se aproveitava pra abusar de ucranianas, e teve mais atrás com vikings usando russos e ucranianos como mão de obra gratuita pesada.
  • Fora isso, antes das Grandes Navegações (onde escravidão foi movida por demandas pesadas e muito racismo), a escravidão normalmente era de prisioneiros de guerra (poupados de serem eliminados) e pessoas com dívidas pesadas (isso desde o Antigo Egito a quilombos de fugitivos escravizados no Brasil).
Falando em etimologia de nomes, meu sobrenome Galdino por parte de mãe tem uma etimologia ibérica, uma adaptação de Waldus (um termo germânico que significava chefe ou comandante), e que ficou comum em Portugal e Itália, e o sobrenome Albuquerque por parte de pai vem do latim Albo Quercos (carvalho branco), e é comum na Itália e Espanha (incluindo ser o nome de uma cidade de uma das províncias), mas não tenho pais imigrantes e nem avós imigrantes, provavelmente têm origem mais antiga.
  • No Projeto Dream tem muito foco na cidade de Albuquerque-NM simplesmente por ser o mesmo nome desse meu sobrenome.
  • Mas pelo que eu vi, Galdino antes era um primeiro nome (e talvez os youtubers que eu converso em live simplesmente acham que meu primeiro nome seria Galdino por isso; em One Piece tem o Mr. 3 chamado Galdino também), e passou a ser sobrenome conforme descendentes coloniais herdavam esse nome como um sobrenome ou nome do meio.
  • Também é muito comum o sobrenome Silva ou a combinação Galdino da Silva, minha parte de mãe tem isso também e esse sobrenome, que significa silvestre, era comum no Brasil pra escravizados africanos, convertidos/escravizados indígenas e depois seus descendentes. Como meus pais são nordestinos (mãe pernambucana e pai baiano) pode ter a ascendência africana e indígena de fato.
Voltando ao assunto...
Das guerras do Século XIX, a guerra que mais traumatizou as pessoas não foi a Guerra do Vietnã (essa só fez os soldados estadunidenses verem que guerra era uma merda e deixou os vietnamitas putos com o ocidente), e nem a Segunda Guerra Mundial (que mesmo que tenha sido maior, pior e com tiranos tão metódicos em seu ódio que são referencial de gente ruim, ainda foi algo construído por problemas anteriores), mas a Primeira Guerra Mundial.
  • Foi uma série de conflitos entre países e seus aliados em um ponto que as pessoas ainda estavam desenvolvendo esperança por avanços tecnológicos e sociais.
  • Adolescentes mentiam a idade pra participar achando que teriam glória ou que teriam mais chance que tiveram de verdade pra proteger o país, milhares morreram antes de chegar aos 18 anos, sobreviventes envelheceram mais rápido de tanto estresse, e os uniformes da época pra Tríplice Entente tinham muita desvantagem tática.
  • A Alemanha já tinha metralhadoras e artilharia antes de outras tropas sequer fazerem as próprias trincheiras sequer para defender, enquanto franceses e ingleses estavam cavando o território e preparando até cronogramas para invasões mais precisas.
  • Antes soldados ingleses e russos até tinham um uniforme mais secreto e prático, mas os franceses usavam pantalon rouge (um tipo de calça vermelha) e casaco em bleu horizon (um tipo de azul relevante da França), que eles levaram anos recusando a trocar porque ainda tinha uma forte carga simbólica, elites e conservadores associavam como símbolo patriota e os civis viam mais valor heróico com base em ter as cores de sua bandeira.
    • Outro motivo pra demora da troca de roupa para algo discreto era, não só não ter dado tempo, mas antes as pessoas verem soldados como símbolo de coragem, e grupos até viam as variantes com os uniformes novos como covardes por terem que se camuflar pra sobreviver, assim como ainda tinha aquela característica quase carnavalesca dos soldados também participarem em desfiles importantes da França.
    • Sem falar que era um traje surgiu em 1829 graças a Carlos X, quando a Restauração Francesa pela dinastia Bourbon era ainda recente, dita calça tinha certo incentivo têxtil da agricultura (cujos campos incluíam plantar garance (rubia tinctorium, ruiva-tintureira) um tipo de flor usada pro corante que era até usado como parte da identificação, seja por motivo patriótico ou estratégico), e abandonar a tradição não era apenas cultural → era jogar fora praticamente um século de esforço e uma indústria que por um longo tempo foi benéfico pro país e seus soldados, e isso seria um sacrifício pesado até pro lado pragmático.
  • Mas pelo menos os franceses desenvolveram capacetes Adrian, que não eram capacetes tão grandes mas já protegiam a cabeça enquanto o corpo pelo menos estava leve, e foi usado por aliados na Tríplice Entente por sua vez.
    • Já o Império Russo não queria ver seus soldados usando capacetes, não por achar os capacetes feios ou pela mesma visão doutrinada sobre covardia, mas porque o Czar Nicolau II era arrogante e vaidoso, e sentia que capacetes diferentes dos bonés de couro ou das papakhas de pele iria diminuir o valor ou brio dos soldados.
    • Por isso era mais comum esse capacete Adrian usado por plebeus alistados à força que em nobres que estavam lá por um trabalho melhor pago ou então com maior vontade, o que foi uma das coisas que irritou o povo, afinal dava a imagem de que o Czar Nicolau II tava botando pobre pra ser bucha de canhão na guerra enquanto os soldados nobres só iam depois.
  • Pouco antes do Império Otomano ser abolido, ele perdeu pra Rússia em 1918 logo ao tentarem o mesmo erro que o Napoleão, de enfrentar a Rússia no Inverno (e olha que a essa altura já virou URSS).
  • Isso que nem falei das armas e crimes de guerra ainda, vou aproveitar pra falar do Pé de Trincheira também.
    • A galera tava tão paranoica porque, além da brutalidade, era difícil voltar pra casa, que os soldados dormiam sentados e com arma na mão, isso quando conseguiam dormir no meio de ratos e barulho de explosão.
    • As botas eram feitas de couro grosso, tinham peças de prego de ferro pra durar mais mas eram escorregadias, e no meio da lama podre e baixa ventilação isso dava fungos e bactérias pra causar o Pé de Trincheira.
    • Granadas eram um terror, não pela explosão de fogo em si, mas pelos estilhaços que variavam de poeira que só arranhava pra cacos grandes fatais. Shell Shock (Choque do Estilhaço) era o nome antigo do TEPT Dissociativo (que além das memórias traumáticas e estresse sério, inclui sensações de despersonalização e desrealização).
    • Armas químicas como Gás Mostarda (que causavam queimaduras e prendiam até na roupa), Gás Lacrimogênio (que faz os olhos arderem) e Gás do Cloro (que acaba com os pulmões) eram usadas pelos alemães e isso causou danos irreversíveis a sobreviventes.
    • Estupro da Bélgica: Um ataque em Setembro de 1914 em que a Alemanha massacrou, mutilou, e violou psicologicamente e sexualmente civis belgas enquanto atravessavam o caminho até a França.
    • Praticamente a Alemanha cometeu tanta barbaridade que graças a eles existe Convenção de Genebra, pqp!
O Império Russo caiu pelo motivo quase igual ao que o Reino Francês feudal foi destruído: camponeses morriam devendo, outros funcionários e até burgueses tinham a carreira estagnada, e a Aristocracia torrando o orçamento em luxos diários, com a França a Maria Antonieta gastava em vestidos e penteados caros e jogos de diferentes tipos e os Czar gastavam principalmente com brinquedos como os 50 Ovos de Fabergé (com Peter Carl Fabergé fazendo principalmente em encomendas de Páscoa), e ainda matando gente que tentava fazer os protestos de forma mais calma e quieta.
  • No caso da Rússia, tinha um filme de animação de 1997 chamado Anastasia, em que a Anastasia sobreviveu à morte da família Romanov e tem que deter o bruxo Rasputin.
  • Esse filme envelheceu mal na parte do roteiro e revisão histórica, seja por romantizar o Czarismo que na realidade foi justamente uma decadência feudal, enquanto também retratava o Rasputin como um bruxo demoníaco.
    • Sem falar do design antissemita do Rasputin no filme, o Grigori Rasputin era um siberiano ortodoxo, mas ele é retratado como um "judeu feio", o que repete aquela conspiração fascista e nazista de que os bolcheviques eram judeus comunistas.
    • Sem falar TAMBÉM que, na hora de reduzir o atrito político a algo mágico com bruxos das trevas, por que macadâmias usaram o Rasputin se do lado tinha o Lenin, Trotsky e Rasputin que eram anti-Czar? É um erro estúpido pegar um caso histórico extremamente complexo e complicado e reduzir a um "conto de fadas da vida real" porque confunde crianças, engana jovens, irrita historiadores e decepciona quem viveu tais eventos ou teve parentes que viveram esses eventos.
    • Assim como o filme era de 1997, baseado num suposto mistério de que sobreviveu alguma filha dos Romanov que deixou descendentes e... Mesma húbris pretenciosa que aquele papo furado de Santo Graal cristão de novo, na vida real só a Grã-Duquesa Olga Alexandrovna sobreviveu ao Massacre de Ecaterimburgo.
      • Se sabia que 3 filhas, o Czar e a Czarina estavam numa vala (achada em 1991), o Alexei (filho mais novo que sofria de hemofilia por causa do incesto da família) e a tal Anastasia tavam faltando, mas em 2007 foi achada a segunda vala com os ossos de quem tava faltando, com o teste de DNA em 2008.
  • Sobre os Ovos de Fabergé, a URSS vendeu o que podiam após confiscarem tudo pra poderem pagar dívidas e conseguir máquinas pra indústria própria, a lenda de que os bolcheviques quebraram os ovos ou jogaram fora foi usada por comunistas como sinal de desprendimento de "prazeres inúteis" e usada por czaristas pra pintar comunistas como monstros que odeiam a arte.
    • Teve ovos que foram perdidos por acidente, outros foram vendidos a um preço menor que o esperado, e já vi caso dum cara que queria comprar um ovo Fabergé pra sucatear em outro.
    • Esse é o quão desmoralizados foram os Czar que nenhum massacre conseguiria fazer, porque matar um favorito vira propaganda, matar um injustiçado cria mártir, mas você tirar o valor do que representava ele acaba com o único refúgio onde nem a alma tá segura.
Fora isso, quando a Iugoslávia colapsou (1990's) depois do fim da URSS (1991) e da Guerra Fria (1989), teve a Guerra da Sérvia, que era um conjunto de guerras protagonizadas pela Sérvia durante a tentativa de conquistar territórios (já que a Iugoslávia se dissolveu em Eslovênia, Croácia, Bósnia & Herzegovina, a própria Sérvia, Montenegro, Kosovo e Macedônia do Norte (antiga Macedônia)), e teve a tão infame Guerra da Bósnia, que... Sim, o velho meme Serbia Strong, ou Remove Kebab, é problemático justamente por esse extremismo de matar, torturar ou exilar os bósnios, incluindo "Kebab" ser um slur contra muçulmanos (e a Bósnia & Herzegovina são um país muçulmano), e essa música foi posteriormente usada em ataques da extrema direita ocidental contra muçulmanos que tavam quietos e tinham nada a ver (como os ataques a mesquitas em Christchurch na Nova Zelândia).
  • Ditos crimes humanitários e de guerra incluíam extermínios e ataques a civis em Srebrenica, limpeza étnica ao até deportar mulheres, crianças e idosos (2 milhões de pessoas expulsas, 23.000 delas sendo só em Srebrenica), literalmente um Safari de snipers italianos pagando pra atirar em pessoas em Sarajevo (algo que tá sendo investigado recentemente), atos corporais não consentidos usados como arma de guerra ou para mudar a genética dessas famílias, e impedimento de agentes da ONU e da OTAN.
  • Dos capturados por terem feito essas atrocidades, Ratko Mladić e Radovan Karadžić são os mais conhecidos por terem feito os genocídios, Slobodan Milošević morreu antes mesmo de ser preso (não sei se ele se automorreu pra fugir da prisão ou alguém linchou ele), e chefes de inteligência da própria Sérvia, como Franko Simatović, foram diretamente condenados por cumplicidade em crimes cometidos por esquadrões da morte na Bósnia.
  • Dos snipers safaris, uma das pessoas que sabia do caso era um ex-líder de milícia chamado Slavko Aleksić, que foi encontrado morto aos 69 anos em dezembro de 2025, na cidade de Trebinje, um dos casos que atrapalharam a investigação e só levantou ainda mais suspeitas pro jornalismo.
    • Durante o Cerco de Sarajevo na década de 1990, Aleksić comandava as forças que controlavam o cemitério judaico nas colinas acima da cidade, cuja região era o ponto exato de onde saíam os tiros contra os civis, e por controlar a área, juristas e investigadores afirmavam que ele era a pessoa com maior capacidade de identificar os turistas estrangeiros que pagavam para matar.
    • Turistas ocidentais ricos (principalmente italianos, russos e britânicos) pagavam somas equivalentes a € 100.000 (cerca de R$ 601.323,80; se usassem moedas atuais) para passar fins de semana atirando em civis.
    • Agências clandestinas transportavam os "clientes" nas sextas-feiras via voos fretados e helicópteros, permitindo que eles caçassem humanos no sábado e voltassem aos seus empregos normais na segunda-feira.
  • Dá pra dizer que ditas notícias, mesmo que possam ser atrocidades separadas do que o velho canibal bff do Trump fez em sua ilha (ou seja, sem ter o dedo do Epstein no meio), têm até mesmo um "timing perfeito" agora que o governo do Trump tá se colapsando totalmente e as cortinas de fumaça estão acabando.
Ditas atrocidades que a Sérvia cometeu inspiraram a parte triste da história de GTA 4 (com inclusive um protagonista sérvio refugiado e sobre desilusão do mundo ocidental) e as várias nojeiras de A Serbian Film (um filme que, a propósito, também vale pra representar aquele tipo de atrocidade que canais de curiosidade vagabundos associavam à Darkweb mas na prática tudo isso ocorre em sites da Surfaceweb (superfície) e precisa de hackers anônimos especializados pra destruir esses sites, e da justiça pra derrubar canais do Discord e Telegram - que a propósito, não vou defender o Discord, os ataques físicos e sexuais virtuais literalmente aconteciam a torto e a direito e ninguém fazia nada, só caiu porque o King tentou pagar de protagonista e trair todo mundo achando que ia se safar, e ainda quando o Discord tentou ter segurança foi tão merda que só fez vazar dados e até gente nada a ver foi hackeada ou banida, aí trouxa quer cantar de galo falando que não vai resolver? Parem de bater no espantalho, esse plano de banir o Discord parece estúpido mas não é pra purificar os CPzeiros e sim pra cortar as asas desses caras).
  • Nunca vi esse filme, apenas resumos, e já achei aquilo uma parada idiota, edgelord LDL e parada de um autor que pareceu muito mais querer chamar atenção de fãs nojentos que de fato chocar ou criticar, o cara abaixar o nível ao incluir uma cena de "newborn p#rn" (me recuso a descrever, e não vão atrás ver sapoha; inclusive nos resumos que eu vi, o pessoal que diz ter assistido só diz que existe a cena e descreve bem resumido) é injustificável.
  • Isso lembra superstições problemáticas na África Subsaariana, como "curandeiros" intinerantes, autointitulados e não-confiáveis (chamados nyangas) que "adivinham" usuárias supostas de bruxaria mas só levam a linchamentos públicos, e tem gente que acredita que fazer sexo com virgens cura o homem da AIDS (como se passasse pra moça sem manter o vírus nele), o que não é verdade e só espalha mais a doença, assim como há casos de pais macetando os filhos achando que vai proteger de AIDS e, além de infectar o filho (se o pai tinha AIDS) ou o pai (se o filho tiver AIDS por transmissão vertical), fica todo mundo infectado e o filho traumatizado à toa.
    •  Além da ilusão da cura do HIV, alguns perpetradores cometem esse ato (com agravantes incestuosos) sob a promessa de curandeiros de que o ato trará riqueza, sorte ou proteção espiritual para os negócios do agressor (na moral, parece aquilo que o Morty cita dos habitantes do Minúsculoverso, dos tribais que devoram os filhos achando que faz as plantas darem mais frutas).
    • Assim como esses "curandeiros" escrotos (outro nome comum: tsikamutanda) extorquem com ameaça de roubar o gado dos civis, ou por causa desses golpes de roubar animais e comida leva a tragédias familiares por causa do desentendimento escalar muito, leva ditos curandeiros duvidosos a serem presos, processados ou linchados, ao ponto que inclusive acusar os outros de bruxaria é um crime no Zimbábue, inclusive com lei própria, e... ponto pros muçulmanos? Esses tsikamutanda são até executados porque essas práticas são consideradas Shirk dependendo se o país usa Sharia em sua lei, e ponto pro cristianismo também? Com movimentos cristãos se expandindo, regiões afro-cristãs buscam cura espiritual por orações (tirando essa idolatria e charlatanice já que mesmo menos orar e acreditar é de graça).
      • Ponto também pro Coronga já que dita força tarefa pra conter a pandemia de 2019 também teve sua força pra ajudar na segurança infantil na África.
Até mais!

26 de ago. de 2026

Lobisomens, Lovecraft e Cristianismo

Esse post vai começar com umas pesquisas sobre evolução da licantropia que eu fiz baseado em conversas com um webamigo.

Licaão e Sátiricon
Talvez o Licaão seja o mais conhecido, em lendas do século VII a.C. sobre um rei tirano da Acádia (reino da Grécia Antiga no Oriente Médio; e inspiração de Arcádia, um dos nomes pra reinos mágicos) e que odiava hospitalidade, matava qualquer um que ele mesmo convidava ou deixava entrar. Quando Zeus chegou lá, Licaão ainda tentou respeitar, mas ofereceu um prato feito de carne humana (em umas versões foi carne de um escravo, em outras foi do filho dele), Zeus ficou puto e transformou ele em lobo e queimou o palácio.
 No Sátirocon, livro romano de Petrônio, tem o lobisomem Niceros que se transforma em lobo durante noites de luas muito brilhantes (luas cheias) e isso atrapalhou, arruinou o banquete do nobre Trimalquião.
Faoladh
Lobisomens pastores da mitologia celta, um tipo de guardiões de campos, de rebanhos e dos civis vulneráveis, vindos do folclore irlandês e uma das exceções da ideia de "lobisomens selvagens ou cruéis".
Ulfhednar
Guerreiros nórdicos similares a Berserkers, mas enquanto Berserkers eram guerreiros ursos, os Ulfhednars eram guerreiros lobos, também com um frenesi brutal e também vindo da lenda de encarnar espíritos de animais ao vestir o couro deles. Berserker vem de um termo nórdico que inclui significados como pele de urso, eles vestiam a pele da fera, pegavam armamentos (como o favorito deles, o machado, e escudos redondos) e bebiam poções de cogumelo mosca e veneno de sapo.
Kresnik ou Krsnik
Lobisomens heróis da mitologia eslava, são notáveis quando já nascem com dentes ou têm um tipo de placenta na cara quando nascem. São mais que só heróis lobisomens a lá Space Wolves de Warhammer, eles eram xamãs com magias de proteção, amuletos e bons em medicina e poções, a licantropia sendo um dos poderes deles. E eles caçam Kudlaks (um tipo de vampiros eslavos ou anti-Kresniks).
 Pode ter a ver com Belobog (deus branco da luz), considerando que são guerreiros que nascem com placenta branca é um Kresnik, e se fosse com placenta escura é um Kudlak (que seria associado a Chernobog, deus escuro e um tipo de Diabo eslavo).
Cinocéfalos e São Cristóvão
Por favor entendam: Cinocéfalos e lobisomens são seres diferentes, a questão é que cinocéfalos já são humanoides com cabeça de cachorro por padrão, e seriam um tipo de civilizações sapientes de terras distantes e associados à África e Ásia. Há a entender que São Cristóvão foi tanto uma pessoa real quanto alguém que inspirou sua contraparte mitológica, um padroeiro dos viajantes e veículos na Ortodoxia Bizantina provavelmente por ser uma fera distante que se converteu.
 Eu vi num vídeo sobre cinocéfalo ser uma metáfora a pessoas que se levaram a uma vida com pecados, não por maldade, mas por impulso, não achei fonte suficiente sobre isso mas coincide com a etimologia de Cínico (filósofos mendigos da Grécia Antiga, grupo do Diógenes) vindo de "similar a um cachorro", por viverem na rua com pouca roupa e vivendo com o que achassem.
Lobisomens Medievais
Seja os Loup-Garou do folclore francês ou os Vokodlak do folclore eslavo são lobisomens selvagens ou malignos, com origens variáveis também (melhor explicado no tópico seguinte). Nessa versão eles se transformavam nas madrugadas de Quinta-Feira ou noites de Sexta-Feira, entre os simbolismos a ver com a Sexta-Feira sendo o dia da paixão e o dia da semana em que Jesus foi crucificado, simbolizando um tempo de menores defesas espirituais e maior maldade no mundo (a mesma origem simbólica da Sexta-Feira 13 (com a adição de lendas de 13º convidado sempre sendo o indesejado, seja o Judas na Santa Ceia, o Loki na lenda da morte de Baldur, ou o Capeta em lendas medievais de Sabats de bruxas; e também conectado a lobisomens se manifestando na Quaresma).
  • Loup-garou sendo a etimologia francesa para o termo Garou, que por si só é uma palavra referente à licantropia.
 A partir dessa época surgiu o conceito de lobisomens passarem a maldição com mordidas infectadas, baseado no vírus da raiva que era uma doença comum e também confundida com vampirismo (provavelmente a variação não seria de pessoas peludas com o vírus da raiva como meu webamigo Gabriel já comentou uma vez, mas de pessoas que pegaram raiva por mordida de cachorro).
Rituais de Licantropia
Podia incluir desde pessoas que fizeram pactos com demônios por poder, agilidade e se soltarem das amarras da sociedade, ou por entrarem em contato com pele de lobo em lugares de concentração mágica (como portões encantados ou encruzilhadas), ou amaldiçoados por terem acumulado pecados demais para poderem confessar e se purificar, até mesmo comer muita carne na Quaresma. Em povos como na Escandinávia, Germânia e em povos russos da Idade do Bronze tinha rituais de vestir pele de cachorros ou lobos, ou então comer a carne dessas feras, seja só pra pegar a força da fera ou então conseguir o poder de virar cães e lobos, assim como uma das opções de rituais é beber água que ficou acumulada na pegada de um lobo na terra. Assim como bruxas se drogavam com poções do amor à base de beladona, homens também se drogavam com unguentos e pomadas feitas de plantas alucinógenas na pele e acreditavam que haviam se transformado em lobos.
 Tinha um ritual que eu ouvi falar por um vídeo um tempo atrás, e vi que veio do folclore ibérico (Portugal e Espanha), que envolve a pessoa vestir uma blusa ao contrário (a inversão da vestimenta já simboliza a quebra de regras naturais por você tar fazendo de propósito o que você não deveria), se esfregar onde cachorros andaram e deitaram (não precisa esfregar onde o cachorro cagou, aí seria demais, né poha; mas em suma, você tá absorvendo energia que o cachorro deixou no chão), numa encruzilhada (um tipo de espaço liminar comumente associado a demônios e pactos), e rezar ao contrário (não sei se tem que ser cada letra na ordem contrária ou se simplesmente começa com "Amém, para sempre" e termina com "Que estás no céu, Pai Nosso").
 No folclore brasileiro, o filho sendo o oitavo após sete filhas, ou o sétimo após seis filhas, ou então ser fruto de incesto entre irmãos, também é amaldiçoado a virar um lobisomem (em contraparte, a oitava filha após outras sete vira uma Cumacanga, um tipo de mulher mágica cuja cabeça se solta enquanto ela dorme, e a cabeça sai assombrando a floresta ou as vilas; provavelmente era uma das interpretações dos fogos fátuos, que são chamas misteriosas que se formam com a queima repentina de fosfina (PH3), o difosfano (P2H4) e o metano (CH4), que por serem gases formados pela putrefação de cadáveres o fogo disso era confundido com energia espiritual vagando).
Cão de Baskerville e Lobisomens de Cinema
Cão de Baskerville também não é um lobisomem, mas eu tô citando aqui porque, além de tar perto do assunto desse tópico, senão aqui onde mais eu falaria sobre? Enfim, é um dos vilões do Sherlock Holmes (inclusive eu tive que ler o livro do Cão de Baskerville pra uma prova do livro de Português), em forma de um cachorro magro, de pelos pretos e, dependendo da ilustração, com uma chama saindo da boca, e sendo uma versão do Black Shuck (um tipo de cão preto demoníaco do folclore inglês, por sua vez uma versão dos Hellhounds, que apesar de termos cães infernais como Cérbero na Grécia e Garn na Escandinávia, os Hellhounds e Cães Negros só foram uma raça de fato no folclore celta), e apesar de ser um cachorro sobrenatural, ele não é indestrutível, e o Sherlock Holmes consegue eliminar a fera com um tiro.
 O conceito de lobisomens virando seres meio humanos, em vez de uma versão bizarra de um lobo, surgiu em Lobisomem de Londres, um teatro de 1828, que depois evoluiu para um filme de 1935 (que o protagonista é amaldiçoado pelo contato com a Mariphasa Lupina Lumina, uma flor mística que cresce à Lua Cheia), e evoluiu pro Lobisomem de 1941, com a transformação à Lua Cheia e a vulnerabilidade a balas de prata. Lobisomens são super fortes, e também super resistentes, armas comuns não dão dano suficiente, e a prata tem esse poder mágico da Lua e da pureza, que por si própria é usada para quebrar as defesas amaldiçoadas do Lobisomem.
Vocês sabiam que assobiar no escuro atrai demônios? Há lendas globais de que assobiar no escuro atrai maus espíritos e forças malignas, ou então azar, isso é baseado no simbolismo da noite a perigos (algo clássico, memória ancestral, predadores noturnos, etc.), com também a associação de assobiar a chamar atenção (seja como convide ou irritação), isso se aplicando ao espiritual também.
 Nos livros do Lovecraft o Necronomicon é apenas o nome grego do livro Al-Azif, cujo nome tem origem no termo árabe ‘azīf (عزيف), que podia se referir tanto a barulho de insetos quanto a uivo de demônios (ou de djinns, ghouls, ifrits e shaytans), o que se completa com o quão comuns eram barulhos de grilos, esperanças, cigarras ou, quando não inclui só insetos e inclui também pássaros, a corujas (animal noturno conhecido por gritos assustadores) e corvos (que na Ásia e na Escandinávia tem simbolismos positivos de sabedoria, mas no Ocidente Europeu é conhecido como um presságio de morte ou então um animal ceifeiro já que corvos comem cadáveres).

Também citei sobre lobisomens europeus, sobre um santo cinocéfalo, e como os lobisomens são incluídos no sincretismo católico, isso até lembra o Lupus Dei da banda Powerwolf (uma banda sobre lobisomens), que a música Lupus Dei se trata de um lobisomem sendo santificado ao se converter a Cristo.
Fora isso, num post anterior eu falei sobre cristãos hipócritas, e aquilo foi um desabafo sobre um tal de Último Aqueu, que quando falava de feminismo era sempre demonizando como se as pessoas defendendo mulheres escrotas fossem as verdadeiras feministas e não, sei lá, mulheres querendo escolher o que vestir ou querendo maridos que prestem, e outra crítica minha é quem se diz católico, mas acha ruim o Estoicismo e fala que é "filosofia de corno" (e não ajuda muito gente que retrata estoicos hipotéticos como gente que, só porque não quer reclamar, aceitariam coisas aleatórias como tomarem chifre), e isso é estúpido.
  • Estoicismo é simplesmente:
    • Se é culpa sua → Não reclame, e desfaça a merda que você fez.
    • Se era inevitável → Não reclame, reclamar não vai mudar a situação.
    • Se foi irreversível → Não precisa reclamar,  o que tá feito tá feito.
    • Se alguém fez algo contra você → Só se vingue se valer a pena ou você superar o malfeitor, pagar da mesma moeda só vai provar que o cara tava certo fazendo o que você achou ruim.
  • E eu acho idiota quem acha que estoicismo é anti-cristão sabendo que essa ideia de encarar os desafios é igual às penitências católicas (o católico chora com o estoico não reclamando enquanto resolve, mas acha bonito autoflagelação que é basicamente masoquismo sagrado), e que filósofos como Marco Aurélio dedicavam ainda à busca por fazer o certo e o real (outra lição católica).
    • Assim como odeio gente que reclama do estoicismo como se fosse o maior "hominem sanctum" do mundo mas tem o temperamento de um Devora-Mundos (outra tropa de Warhammer) e o vocabulário de um figurante de um desenho médio do Adi Shankar ou da Vivziepop.
  • Isso que eu evitei citar as 14 cartas entre Sêneca e São Paulo porque eram uma lenda com cartas falsificadas para uma propaganda de absorver o estoicismo de Sêneca para o lado cristão (o que sinceramente nem precisavam, considerando como o Estoicismo já combina com o Cristianismo num geral).
Mas sobre cristãos e santificação, mesmo eu sendo evangélico acho legal parte da história dos santos, e até santos filósofos como Santo Agostinho, que incluía filosofias como:
  • Associação entre sabedoria e fé, não no sentido de "acreditar em Deus = automaticamente estar certo", mas no sentido que, pra ter fé, tem que entender o que está acreditando, o que de fato separa a fé da idolatria.
  • Também absorvendo o Platonismo, com a Ideia do Bem do mito da caverna sendo usado pra explicar o Livre Arbítrio, em que quando Deus criou a liberdade de escolha pros humanos, ele criou o bem como uma luz espiritual, e que as sombras dessa luz são o mal, e o mal é apenas um efeito colateral pela limitação física.
    • Já vi gente dizendo que isso refuta o Paradoxo de Epicuro, mas pra refutar é necessário entender o Paradoxo:
    • Se um deus tem poder, sabedoria e bondade, por que existe o mal?
      • Se são os demônios → se esse deus tem poder e bondade ele destruiria eles.
      • Se é o livre-arbítrio → esse deus pode tirar o mal do livre-arbítrio? → senão, ele não é onipotente ou sequer poderoso.
      • Se há algo que esse deus não sabe → esse deus não é onisciente ou sequer sábio.
    • Mas Santo Agostinho nem precisou refutar Epicuro (porque Epicuro não falou mal de Deus, na época gregos nem sabiam do monoteísmo além do Zoroastrismo persa; Epicuro criticava os deuses gregos serem um bando de desocupados interessados em interferirem muita coisa no mundo físico), e sim refutou pessoas que usavam o Epicurismo na Idade Média ("epicurista" era o equivalente medieval de "ateu Toddynho" ou "ateu de Reddit") e o Maniqueísmo (uma filosofia persa que separava o bem e o mal em forma de deuses opostos e rivais, e que inspirou o Catarismo, que... era um bando de hippie pelado que incentivava a automorte e o assassinato de civis).
    • Isso de um Capeta com livre arbítrio e sendo banido do Céu porque ele queria ser o adm do mundo surgiu com John Milton, que na real fez um Satanás com o nome de Lúcifer (nome romano do deus Eósforo, associado à Estrela da Manhã antes da tal "estrela" ser descoberta o planeta Vênus e associada a Afrodite), e com uma versão mais trágica que apenas mais um vilão.
    • Santo Agostinho tava mais perto cronologicamente de Epicuro (623 anos à frente) que do tal John Milton (1254 anos atrás), é ÓBVIO que a filosofia de cada um não combinava já pelo contexto que cada um viveu.
  • Também defendeu sobre como os sentidos do corpo não eram suficientes pra conseguir o conhecimento, mas também precisava da Iluminação ou Epifania.
    • Eu ia falar que isso é mais abstrato e dependente do primeiro tópico que falei, mas teve o caso do indiano Srinivasa Ramanujan que simplesmente conseguiu por um SONHO um cálculo que pode calcular o valor exato dos 38 primeiros dígitos do Pi após o "3,14" clássico, para cálculos que exigem extrema precisão, desde puramente calcular Pi em computadores, detectar bugs de computadores (ao fazer o processador calcular até o talo e até estressar), até entender a física de buracos negros e a circunferência do universo. E olha que o cara é hindu, pegou milagre duma deusa da religião dele.
Também tem o São Tomás de Aquino, que... eu demorei pra gostar ou entender esse santo mais que o Santo Agostinho porque, sobre os cristãos hipócritas, tava a um nível de "papagaio fala 'São Tomás de Aquino' e vira católico", sem sacanagem, tinha qualquer filósofo europeu secular (ou seja, por volta de séculos XIX e XX) que os caras metiam um "São Tomás de Aquino refutou esse filósofo séculos antes dele falar". Mas na real...
  • Sartre e Foucault defendiam sobre como a existência simplesmente "acontece", e que não começa já com um propósito, enquanto a ideia de predestinação e que humanos terem propósito seria uma ideia cristã era uma ideia calvinista (de uma religião britânica que teve atrito sério com o catolicismo).
    • Sartre dizia sobre a Existência preceder a Essência, que se trata sobre a pessoa não escolher pra existir, e a identidade dela ser construída com o tempo, seja por escolhas próprias ou influência ao redor.
    • Foucault dizia que o poder não é exclusivo do Estado e dos governantes, só é em maior quantidade, enquanto nas mínimas relações sociais ainda há parcelas de poder, assim como desde as interações das pessoas no cotidiano a também a instituição de escolas, hospitais, prisões, etc. levam à padronização e composição do caráter da pessoa, mas... só não é muito original, Thomas Hobbes e John Locke falavam isso antes.
    • Também acho estúpido zés cruzadinhas baterem o martelo sobre mulheres pedófilas como Simone de Beauvoir, e filósofos duvidosos como Foucault (que junto com a Simone tentaram fazer baixo assinado pra abolir idade de consentimento da França), mas ficam em silêncio com uma quantidade tão séria de padres "jacks" que chegaram a ferrar a reputação dos padres por décadas (ao ponto de inspirar brincadeiras como "quem chegar por último é mulher do padre").
  • Sobre São Tomás de Aquino, o mesmo foi um padre universitário e frade dominicano conhecido por seu tamanho e timidez, ao ponto que colegas apelidavam maldosamente ele de Boi Mudo ("boi" não só por ser gordão, mas também por ser "lerdo" perto de outros sacerdotes do mesmo grupo, "mudo" era por ele falar bem pouco), e eu não diria que pode ter sido um padre/santo autista, mas ele foi praticamente santificado na base do hiperfoco.
    • Teologia é o estudo da palavra e da religião, e é uma área importante para formar padres, e a contribuição do São Tomás pra teologia cristã é até chamada de Suma Teologia.
    • Motor Imóvel: Baseado na cosmologia de Aristóteles, de uma força que moveu tudo que é físico e espiritual, mas é "imóvel" porque só precisou de um movimento pra tudo começar.
    • Causa Eficiente: Causalidade, e especificamente a linearidade dela, e se completando com o Motor Imóvel (dita como a primeira causa).
    • Ser Necessário: Se os seres do mundo são contingentes (podem existir ou não); logo, deve existir um ser necessário que lhes dê origem.
    • Graus de Perfeição: Se tem pessoas boas e ruins, e pessoas melhores ou menos boas (não necessariamente piores), há um grau máximo de bondade.
    • Governo Supremo: Se há ordem na natureza, há um tipo de "Rei Supremo".
      • Eu espero que lembrem-se: Nunca confundir com design inteligente (design inteligente é uma conspiração criacionista literal, que distorce como evolução funciona e ignora os milhares a bilhões de anos de evolução da matéria e vida pra reduzirem a "veio do nada"), São Tomás nunca falou sobre design inteligente.
Eu até pensei em colocar aquela pintura do São Tomás mais velho e calvo, com cara de "chad", mas sei lá, achei essa pintura mais bonitinha e achei uma pena não usarem muito essa foto pra ilustrarem o São Tomás.

Até mais!

9 de ago. de 2026

Artes macabras, Morte e idolatria

Esse blog vai combinar a explicação de algumas artes com algo inesperado que eu passei recentemente (embora nada impressionante pra mim), que vou explicando conforme avança abaixo.

O Ciclope, 1898, Odilon Redon
Lembro de quando eu vi esse ciclope num vídeo da Fatos Desconhecidos sobre monstros mitológicos, e no vídeo citaram os ciclopes incluindo o Polifemo, mas pelo visto a ilustração é como se fosse uma história original por si só: Um ciclope selvagem, perambulando, enquanto tem uma mulher (provavelmente uma donzela pura) vulnerável pois está deitada e dormindo, mas o ciclope selvagem olha pra tela, pro expectador, em vez de olhar pra donzela. Nenhum está olhando pro outro, o ciclope só vê um, e você vê os dois, .
O Pesadelo, 1781, Johann Heinrich Füssli
Talvez a explicação manjada é a de que a mulher estirada no chão está sofrendo uma paralisia do sono, inclusive antes dos Íncubos serem "Súcubos machos", eram espíritos que atacavam em paralisia do sono, mas o real "pesadelo" é o cavalo misturado no meio das sombras, pois pesadelo em inglês é Nightmare (égua noturna), assim como haviam simbolismos de demônios em forma de cavalos (como os Kelpies também), ou os Íncubos também serem chamados de mare no inglês antigo.
O Mundo de Cristina, 1948, Andrew Wyeth
Talvez isso tenha me pegado muito porque é basicamente um enorme Espaço Liminar, mas não um espaço liminar urbano (como uma rua ou um parque) e nem fechado (como qualquer sala ou corredor), é um espaço liminar aberto e rural, um dos tipos mais raros de espaço liminar, e pelo jeito que a moça (a tal Cristina) está deitada, ela provavelmente está paralisada e tentando se rastejar. É um horror tão silencioso e tão calmo que só tá tudo bem porque não há nenhuma ameaça nítida.
A Ilha dos Mortos, 1880, Arnold Böcklin
Do meu entendimento, podia ter sido tanto o Reino de Hades (tem até um Caronte ali embaixo carregando alguém) quanto a Ilha dos Bem-Aventurados (um pós-vida descrito por Homero que se trata de um paraíso específico pra heróis que morreram em glória), mas pesquisando tem também inspirações na ilha Pontikonisi (uma ilha grega bem pequena), e também no Cemitério Inglês (que apesar do nome, fica na cidade italiana de Florença - provavelmente pra trollar americano, não duvido), e eu vi que tem versões de dia e de noite, só não entendi se a versão de dia é de um autor diferente ou o Arnold Böcklin fez versões diferentes da mesma pintura. Essa pintura aparece em Signalis, e em uma das cenas até mostra essa pintura junta com uma carta de Amantes, e como a carta de Amantes significa tanto amor e encontros quanto conflitos (no caso a carta no jogo mostrando duas mulheres dando as mãos - há um romance pouco implícito entre a sua Elster e uma personagem misteriosa, mas também você tem que enfrentar um monte de robôs femininas), e na cena que eu tô associando tem essa carta numa pintura da Ilha dos Mortos de dia, pode significar justamente a perda ou desaparecimento (embora não uma morte confirmada) da Ariane, a qual a Elster que você controla tem que ir atrás.

The Hands Resist Him, 1972, Bills Stoneham
Não pensei numa tradução boa ("As mãos resistem a ele" até encaixa mas não parece combinar), mas sobre essa pintura, temos um garoto sério olhando pra frente, uma boneca sem olhos, e atrás da porta umas mãos fantasmagóricas na escuridão. Já vi interpretações dizendo que se trata da infância (algo tipo a inocência de não ver as maldades do mundo), mas pra mim dá pra ser pior: Pode ser que o garoto não percebe que está tão perto de traumas passados, como aquele tipo de trauma geracional, um avô batendo no pai, um pai xingando e humilhando o filho e então o filho menosprezando os sonhos do neto, e a porta está com uma brecha até que grande, indicando que esses traumas estão mais perto ainda de se repetirem. Isso me lembra a música Cradles, do Sub Urban, 2019, que também fala sobre infância negligenciada, a falta de noção do mundo quando se é mais novo, e não perceber o que de ruim os pais estão fazendo ao filho, com o clipe tendo momentos de como se fossem NPC's num teatro (aquele tipo de apatia infantil quando a gente se sente como se fosse a única pessoa sapiente no lugar).
Saturno Devorando Um Filho, 1819, Francisco Goya
Outra pintura manjada, com simbolismo manjado, mas que dá pra eu estender. Francisco Goya estava surdo de ambos os ouvidos, pode ser por alguma doença autoimune como Síndrome de Susac ou algo como Saturnismo (←leia direito, Saturnismo é uma doença envolvendo contaminação por Chumbo (um metal associado ao planeta Saturno, ao deus Crono e ao elemento da Morte), um metal comum nas tintas da época pra aumentar resistência e secar mais rápido), e talvez por isso o Goya fez logo a pintura da cena de Saturno devorando um dos seus bebês, pode não ser simplesmente "o passado destruindo o futuro" como qualquer um pensaria, mas sim o chumbo (metal de Saturno) devorando o próprio Goya.
A Morte e A Menina, 1852, Frans Van Kuyck
Pelo que entendi, o Van Kuyck fez pinturas relacionadas ao campo, ao pastoreio, meninas e mulheres trabalhando na zona rural, e ele que criou o feriado do Dia das Mães justamente em homenagem às mulheres (mães) e meninas (filhas), com um contexto triste sobre a alta mortalidade infantil devido à pobreza das regiões rurais da Europa, e o feriado era comemorado em Agosto quando foi criado numa campanha em 1913 pra essa dita homenagem, e quando foi se popularizando foi passando a ser comemorado em Maio (um mês também importante já que é associado à Primavera no Hemisfério Norte). Eis então na pintura um ceifeiro tão decadente que tá precisando de muletas pra andar, enquanto quem "ceifou mesmo uma vida" foi a menina que está carregando flores, então... o significado pode ser inesperado, pode ser tanto sobre a própria mortalidade infantil (e como mesmo a Morte aí, decadente (subvertendo a ideia belga de ilustrar a Morte como um exército de ceifeiros), indo pacientemente mas também passando por perto da garota em vez de em direção dela) quanto a dominação da Vida sobre a Morte (por termos o ceifeiro decadente ao lado de uma garotinha serena carregando flores, afinal, sendo uma criança ela já representa uma vida nova, e ela pode crescer e se tornar mãe quando viver o bastante, e flores são um outro símbolo de vida).
[Nota de atualização 15-08-26]
Ninfas Dançando a Flauta de Pã/Dança do Fogo, 1889, Joseph Tomanek
Adicionando aqui porque, como eu citei de relance de meninas peladas pulando Festa Junina (PULA FOGEIRA IAIAAAA) em Projeto Dream [link 1] [link 2] e eu lembrei dessa pintura, que bem, eu pensei que eram meramente bruxas dançando um ritual genérico sobre fogueiras, mas no nome longo diz que na verdade são ninfas, e o "demônio" ali é um fauno/sátiro ou então o deus Pã (um deus fauno, filho de Zeus com a cabra Amalteia - isso é incesto também? porque na infância de Zeus o mesmo mamava essa cabra e então ela era tipo uma mãe adotiva ou madrinha), eu conheci essa pintura por um meme dessa foto com a legenda "girls night" (noite das meninas), como se fosse uma festa silly noturna, mas eu imaginava algo mais caótico, tipo insinuando que as meninas fazem ritual na festa do pijama kkkkkkkk... Mas fora isso, a fogueira pode ser tanto uma fogueira bem grande pra festa quanto algo como um fogo mágico convocado pra festa, já que estamos falando de humanoides mágicos (entre eles as ninfas, que muitas delas são a origem de animais, como a Quelone (mãe das tartarugas) ou de elementos naturais (Eco, ninfa da repetição de som; ou Ondinas, ninfas do mar)).
[Fim da nota]
Eu Tenho Um Plano Especial Para Esse Mundo, 2000, Current 93 e Thomas Ligotti
Esse álbum é bem macabro, a criatura similar a um bobo da corte infernal olhando diretamente pra tela já é horrível de se ver, a música é difícil de se ouvir a letra por causa da voz baixa e robótica (que por si só já é desconfortável e pode representar como se fosse mesmo pra ilustrar um sussurro maligno), e a letra é um poema do Thomas Ligotti (um autor niilista inspirado em HP Lovecraft, e que também tinha ideias anti-religiosas, entre elas algo até mais pessimista que o próprio Lovecraft), enquanto o Lovecraft apenas via entidades superiores e cosmológicas como seres indiferentes porque nós somos menores demais pra esses seres se importarem, Ligotti já imaginava essas entidades, incluindo Deus, como uma entidade que realmente quer ver os humanos sofrerem de alguma forma e por isso existiria a consciência e o livre-arbítrio (isso eu só explicando o que Ligotti achava), algo meio gnosticista, e eu até vi pelo menos um comentário falando que o poema sendo transcrito em música era um dizz diretamente ao Demiurgo (uma interpretação sobre os aspectos malignos ou desonestos do Deus do Velho Testamento, e que criou o plano material e seus habitantes para sofrerem). O tal poema insinua que a vida é só sofrimento, como se fosse mesmo plano do tal Demiurgo ou do Deus Maligno, que o plano seria talvez a automorte, ou talvez se manter vivo só pra tirar sarro do Demiurgo, e há uma parte que me intrigou:
Há apenas quatro maneiras de morrer
Um espírito sarcástico podia ter me dito:
Há a morte que ocorre de forma relativamente repentina
Há a morte que ocorre de forma relativamente gradual
Há a morte que parece ocorrer de forma relativamente indolor
Há a morte cheia de dor
[Eu editei pra "arrancar" os olhos desse bicho porque eu não tava aguentando o contato visual que esse fdp traz]
Eu fui pra igreja com meu pai (que tá me acompanhando nesses Domingos porque, depois do AVC que ele teve no começo de Julho, ele começou a congregar mais pra buscar por bênçãos), e esse Domingo na igreja tavam falando sobre idolatria e então citaram o Bezerro de Ouro, e sobre os hebreus terem montado porque acharam que Moisés morreu no monte de Sinai e Deus abandonou eles. Eu expliquei também sobre como o bezerro de ouro não foi apenas algo ilustrativo ou sobre crenças no materialismo (como o ouro é usado como símbolo de ganância quando fés abraâmicas falam de pecado e idolatria), mas também sobre touros serem símbolos de força e fertilidade no Levante, como era no reino de Canaã ou Fenícia.
O cooperador (que é tipo pastor só que da CCB) ficou surpreso de eu explicar com detalhes tão além do "básico" (entre aspas por ser apenas um termo parecido) que tinha na Bíblia, assim como eu falei sobre o culto vazio a objetos, e não ao que eles representam, também é idolatria.
  • Você usar um terço como foco pra orações é um culto normal a Deus e Jesus, assim como tem também a veneração à Virgem Maria Mãe de Deus.
  • Você orar pra Deus é culto normal.
  • Você rezar pra um santo normalmente é veneração (um tipo de respeito ou apreciação máxima de uma pessoa que está num status sagrado).
  • Mas você cultuar especificamente algum símbolo pq você acha que o objeto que esse símbolo é feito é a parte a ser cultuada (como os hebreus estavam fazendo a Neustã (a serpente de bronze numa cruz de madeira) em Números 21), é um meio de idolatria também.
Eu tava planejando falar aqui sobre mais assuntos, mas obviamente vale mais a pena encaixar num post separado.

Feliz dia dos pais!

1 de jul. de 2026

Mais sonhos, videntes cegos e Harry Potter

Dia 27 de Junho: Essa noite eu sonhei com:
  • Eu, meu pai e meu irmão indo ajudar crianças pobres, seja resgatando crianças sequestradas ou seus brinquedos, e numa cena tinha também eu guardando meus próprios brinquedos.
  • Eu usando um computador estranho, o monitor lembra um computador antigo que tinha em casa numa época que tinha dois, o papel de parede era tipo o Windows 7, mas os icons dos arquivos e do Chrome eram tipo o Windows XP.
  • Tinha uma cena comigo e com outras pessoas rindo e fazendo uma piada, tinha uma suposta piada em que o apelido Windows significava que a pessoa trava muito, e bem em paralelo tinha eu usando um Internet Explorer.
  • Depois, no sonho, uma gameplay de TF2, ou um vídeo sobre o jogo, de um suposto jogador chamado Ivan, que é um main Scout com set de uma Espingarda ou Força da Natureza, uma Guilhotina Voadora e um João Pestana, e que segundo a lore o Ivan tinha as personalidades de Olivian (masculino e mais centrado e introspectivo) e Olívia (feminina e mais caótica), ambos ilustrados com versões editadas da Osaka de Azumanga Daioh (o Olivian tendo um cavanhaque e bigode de pilantra enquanto a Olívia era normal, mas tinham tipo a roupa do Scout só que a ilustração era em preto e branco).
Dia 29 de Junho: Essa noite eu sonhei com:
  • Um tipo de episódio alternativo de Digital Circus em que a Ragatha tinha que enfrentar Fúrias (que segundo o sonho, eram tipo as da mitologia romana mas com nomes estranhos, uma delas até mesmo não tinha nome), num tipo de lugar azul que parecia o Meta-Sonho do Projeto Dream, até que aparece um Kinger musculoso pra resolver, segundo o sonho ele tava forte porque estava com ícor no sangue (aquele líquido divino da mitologia grega).
  • Depois mostrando o Morty de Rick n Morty usando um tipo de máscara amarela de plástico e um patinete que é mais rápido e eficiente que o normal, com um visual legal também, e em um tipo de espaço liminar escuro com um monte de máquinas.
  • Também tinha no sonho um tipo de ARG de personagens em forma de bonecas de pano ou madeira com um visual que variava entre góticas com um estilo meio do Pierrot, ou mais vibrantes e similares ao Arlequino, num tipo de "busca para se tornar 9000 de QI" ou "dedicar a 110%", e o lugar parece um tipo de sala típica do Mario 64 e com um tipo de brinquedos de creche.
Como vocês podem ver, o episódio 8 foi bem curto, não por falta de ideias e nem por pressa e nem por cansaço, mera e puramente foi porque realmente a saga deu no que deu e aproveitei um desenho que eu fiz dum Pássaro de Fogo (que a propósito, no design e ideia eu baseei, não só na versão grega ou egípcia, mas também em equivalentes eslavos, chineses e até mesmo a versão capixaba que tem a ver com a Festa Junina) pra colocar numa cena pouco antes de finalizar num tipo de Ultimato, mesmo que envolvendo mais os coadjuvantes e figurantes que podiam realmente ter muito mais a ver, assim como pude despedir os protagonistas do Brasil como gancho pra uma próxima saga que, aí sim, vai ter mais a ver com uns planos iniciais ou antigos do Untitled 2014.

Dia 30 de Junho: Essa noite eu sonhei com:
  • Um tipo de casa de paredes e portas de madeira, cujas salas e portas sempre mudavam e eu até reclamei com o meu pai (que segundo o sonho era quem ficava reformando a casa) que desse jeito não vai ter como sustentar a casa;
  • Depois muda pra uma cena que o Matheus Canella tenta trollar o Luigi, conversa algo errado com algo que dá errado com um vendedor e põe culpa no Luigi (aliás eu lembro que o Mario e o Luigi tinham no sonho uns sprites tipo os do Mario & Luigi de GBA e DS);
  • Não entendi essa parte, mas tinha um ponto falando ou insinuando que o Luigi e o Scooby Doo são judeus e depois segue uma explicação sobre Torás que são Bíblias reimprimidas sem o Novo Testamento;
  • A Enna Suspiria do Projeto Dream fazendo um tipo de programação de jogos indie, jogando um jogo um tanto abstrato mas que envolvia água e era um jogo 2D de visão de cima e que envolvia levar um peixe ou slime pra sobreviver a umas fases cheias de inimigos, com um chefão que nem dentro do sonho entendi como a Enna venceu, mas o bichinho dela cresce, evolui e vira um tipo de sapo de água com o topo da cabeça sendo verde, e a frase "ele agora tem massa!";
  • Teria um ponto no sonho insinuando que a Enna seria gamedev e programadora, e isso já classificando ela e o Naej como "artesãos";
  • Depois, não entendi se era eu ou o Naej, mas o protagonista dessa parte estava carregando um moleque perdido e até comprando um pacote pequeno de Ruffles pra ele, enfim consegui passar o teste que eu tava fazendo de tentar sonhar com um supermercado e foi realmente bem imersivo.
Também eu conversei no Whats com meu webamigo Pato Azul, às vezes ele pede umas ajudas e dicas sobre criação de história ou também referências mitológicas, dessa vez eu tava explicando do porquê que tem tantas histórias de cegos videntes/profetas.

Não tem a ver com uma compensação sensorial (blindsight), senão não seria retratada como "ver o futuro", assim como se fosse assim teríamos videntes surdos, anósmicos (sem olfato), ageúsicos (sem paladar), com anáfia (doença que elimina o tato) ou então profetas com doenças/deficiências fatais como a Hanseníase/Lepra, assim como lendas como o Tirésias e o Fineu dos gregos e o Odin (que não é cego mas é caolho e tem um filho cego chamado Hodr, um deus da escuridão e da noite e que, por uma sacanagem do Loki, matou o Baldur por engano) dos nórdicos são justamente de uma época que qualquer mínima deficiência seria fatal.
 Ao ponto que era comum cegos, surdos e doentes terem que ficar em hospitais (como os leprosários ou o hospital francês Hôpital des Quinze-Vingts) ou em ruas como mendigos (da mesma forma que na Bíblia há muitos milagres de Jesus curando cegos, surdos, surdocegos, leprosos e até mesmo possuídos, que eram todos abandonados → que se considerarmos como a epilepsia era interpretada, a possessão na real era uma interpretação pejorativa da epilepsia assim como Lepra é hoje em dia um nome ofensivo que insinua que a pessoa está amaldiçoada).
 Assim como em povos celtas eles matavam seus filhos deformados por medo de que fossem Changelings (um tipo de fadas colocadas no berço no lugar de uma criança humana, assim como fadas, chamadas no gaélico de sith, eram seres malignos e similares a pequenos demônios), e na Europa medieval as crianças ou deformados eram mortos por serem considerados vampiros (não vou apontar na papagaiada de acusar de bruxaria, pode ter tido muitos inocentes mortos à toa mas de um jeito muito menos exagerado ou supersticioso que isso soa quando narrado no Ensino Fundamental).

O simbolismo e o significado de videntes cegos a gente só entende se entender o simbolismo da cegueira pra esses povos:
  • Tirésias já foi transmutado em mulher por Hera por um longo tempo e, depois de voltar ao padrão, e questionado sobre quem sentia mais prazer, Tirésias foi cegado por Hera por dizer que o homem sentia mais, mas Zeus compensou ao dar a ele uma bênção de prever o futuro e até certo ponto sentir a verdade (clarividência);
  • Já o rei vidente Fineu recebeu poder profético de Apolo (provavelmente pode ter a ver com a fumaça do dragão Píton já que mitologicamente é o dragão cuja podridão faz subir a fumaça mágica do Oráculo de Delfos), mas por um tipo de abuso de seus poderes (provavelmente só prevendo coisas ruins, só prevendo coisa boa pra gente de interesse, ou mentindo profecias para bajular), foi cegado por Hélios (poderia ter sido tipo uma super catarata, considerando que foi logo o deus sol que cegou ele);
    • Ambos apresentam a cegueira como punição por seus interesses, a sua falsidade no passado e a luxúria e talvez gula (considerando que Tiréssias foi bem guloso quando tava transformado em mulher parecia que era nesse sentido, mas não quis dizer isso), e a previsão é porque, numa época que a natureza era misteriosa e, logo, considerada domínio de múltiplos deuses, o futuro ou qualquer outro domínio temporal era dos deuses de maior valor e poder.
  • Na mitologia nórdica Odin fura ou arranca um dos olhos como oferenda para o poço de Mimir, um gigante sábio que tinha o segredo das runas e da magia, em troca ele recebeu corvos mágicos chamados Huginn e Muninn, que podem voar entre os 9 reinos para contar informações ao Odin.
    • Praticamente Odin sacrifica um olho físico, que por ser um olho de um deus filho direto de jotuns antigos valia muito, pra conseguir avatares menores da onisciência.
    • Porém, caso queiram saber, Odin se pendurou na Yggdrasil (às vezes ilustrado pendurado num galho ou pregado com sua Gungnir no tronco dele e da árvore) pra conseguir a magia rúnica, e teve até mesmo que se travestir de mulher pra aprender magia Seidr com a Freya.
      • Eu odeio a versão do Odin pendurado pelo pescoço como se tivesse se matado, é uma parada edgy e emo, além de levar de mais ao pé da letra o Odin se pendurar já que "hang" se traduz como "pendurar" ou "enforcar" e é sempre estadunidenses que ilustram Odin se matando na Yggdrasil.
    • Seidr é magia feminina nórdica, de cura, proteção, maldições (venenos, azar ou alteração sensorial), comum para xamãs e artistas femininas.
  • Na mitologia egípcia Horus (deus do sol e da guerra) trocou porrada com o Seth (deus do caos e das tempestades) e saiu sem um dos olhos, que esse olho teria caído na Terra, explicando o seu uso como um amuleto comum, sendo um símbolo de olho humano com a pupila de um falcão e a essência do Sol, protegendo de inveja, azar e outras maldições, e é a inspiração do Nazar ("olho grego" que na verdade é turco, provavelmente de algumas absorções culturais do Islã no Oriente Médio e África do Norte) e no "Triângulo Illuminati" (que na verdade é um símbolo maçônico do Arquiteto do Universo que se popularizou na nota de 1 Dólar).
  • Na Bíblia o fariseu Saulo (que depois se tornou o apóstolo Paulo) ficou cego e sem comer e nem beber por 3 dias inteiros, ele não tinha poder "mágico" de prever o futuro mas depois de se converter ele se recuperou e, durante sua jornada, foi um apóstolo importante e o santo cujo nome inspira um dos maiores estados do Sudeste brasileiro em economia, comércio e um dos maiores em futebol.
    • Falando em São Paulo, apóstolo e discípulo são coisas diferentes, por padrão um discípulo apenas aprendendo o ensinamento e a mensagem, o apóstolo sendo quem aprende e espalha a mensagem, por exemplo os 12 Apóstolos sendo mais que alunos, mas também quem espalharam o evangélio de Jesus.
  • Em Warhammer 40k os Astropatas são Psykers cegos que fazem a comunicação interestelar do Imperium, dependendo da versão eles são cegos por terem se sobrecarregado tendo que ler a Warp a longo prazo de seu cargo ou ficaram cegos como parte da ligação de alma (soulbinding) que torna eles resistentes ao Caos e até mesmo à insanidade.
  • Em Darkest Dungeon tem um boss que é um profeta sem olhos e que os ataques "mágicos" dele envolvem trazer visões horríveis a partir dos olhos nas mãos dele ou fazer escombros caírem por presságio.
  • Nos livros de Duna (spoiler do livro Filhos de Duna) o Paul Atreides fica cego e usa por um tempo a sua Presciência (um poder de prever o futuro por cálculo de probabilidade, possível pela Especiaria) pra se orientar e acho que esse é o único caso que realmente a previsão do futuro age como blindsight.
  • Em Trench Crusade e em Jojo's Bizarre Adventure parte 6 tem snipers cegos, a diferença maior é que os snipers de Trench Crusade usam orientação divina enquanto o Johngali A usa um stand de vento, e a parte 6 tem umas contrapartes legais com a parte 3, como o Johngali lembrando o N'Doul que é um cego que usa um stand de água e também é super preciso (N'Doul conseguia matar mosca com uma pedra que ele bateu com uma bengala).
  • Em Steven Universo tem as Safiras e a Garnet, que não são cegas mas sempre escondem os olhos (no caso das Safiras combina mais já que o cabelo delas sempre cobre o olhão delas), mas não creio que Steven Universo ou então sua autora Rebecca Sugar teria elaborado um simbolismo complexo ou uma inspiração sofisticada quanto eu acabaria fazendo parecer (presumo que ela tem certa inspiração no Olho de Hórus ou no mero simbolismo dela ter uma visão mágica e um olho bem grande).
    • Steven Universo tinha um roteiro tão à moda caralha que o próprio Ian JQ teve que fazer um misleading ("Yo her name is Rose QUARTZ") porque o roteiro tava muito óbvio e... Ficou a fandom validando por anos sapoha e aí foi mostrado que a Rose era mesmo a Diamante Rosa kkkkkkkkkkk
    • Eu zoo o Rick n Morty por ser um desenho que desrespeita os próprios fãs, mas além de hoje em dia ter episódios que recapitulam ou homenageiam episódios antigos, a galera do Rick n Morty pelo menos SURPREENDE os fãs ao invés de ter que mentir na cara dura pra adiar e depois falar "uwu, era aquilo que eu falei que não era todos esses anos" e fingir que era mesmo um plot twist.
Por enquanto tô sem ideia de como continuar outras histórias pendentes ao passo que também o Untitled 2014 e até o Projeto Dream podem esperar, mas antes de terminar quero falar um pouco de Harry Potter, e como minha decepção com o conceito dessa franquia sobre magia, escola de magia, bruxos e, mesmo que seja batido, também vou recapitular as coisas problemáticas que eu não esqueço dessa série.
  • Harry Potter é praticamente um Crepúsculo dos magos (eles não são bruxos nem fudendo, primeiro que em inglês é Wizard (que é um termo pra magos sentido que estuda pra usar magia), eles soltam feitiços por meio cinético e mentalização de seus poderes, e não por rituais ou patronos, e também mesmo quando Bruxo no sentido de Wizard pode ser também pra definir um "mago poderoso", os únicos que se parecem com esse arquétipo são o Dumbledore e o Merlin, e pelo que vi em ilustrações conseguiram estragar o Merlin, ele parece a poha dum rabino fariseu ao invés de um Wizard);
  • Também o sistema de magia de Harry Potter, embora não seja de todo ruim, é meio chato de se entender porque é uma franquia que não se decide se a magia é definida e com regras (como os feitiços, que apesar de poder dar possibilidade de fazer uma "build" de magia, ainda assim possui todo um progresso pra aprender a lembrar as sílabas e gestos e você vai depender muito da varinha mágica → o que me indigna por quebrar a ideia da magia vier do mago, e a varinha ser a "antena" do mago, e fazer parecer que a magia é só da varinha), ou se a magia é um mistério maior (que sendo sincero é justamente o que eu mais odeio no soft magic por ser uma desculpa mal disfarçada pra fazer momentos de Deus ex Machina, como a Fênix resolver tudo na luta contra o Basilisco (cegar o Basilisco pra tirar seus poderes, curar veneno com suas lágrimas, e ter força pra levar o grupo do Harry em segurança, mas em defesa disso tudo ainda assim é bem contado e fênixes são criaturas poderosas, então é justo a fênix ter resolvido problemas tão cruciais sem ser o bicho principal) ou a Pedra Filosofal que o Harry consegue pelo espelho (que sendo sincero, só vi fanboy dessa franquia defendendo essa parte por exemplo), assim como o Harry se reviver a um Avada Kedavra do Voldemort no final (apesar que aí já é da Rowling ter sido covarde, mas essa eu relevo porque é bem mais roteiro covarde que realmente um deus ex machina apesar de também se aplicar);
    • Mas tem umas paradas que não vou relevar, tipo o Vira-Tempo (uma relíquia de viagem temporal) ser confiada à Hermione (que além de ser uma criança, também é uma trouxa (falando assim parece que tô zoando ela, mas peraí), uma variação de humano vinda de fora das comunidades mágicas, ainda que realmente seja mérito dela ela ser uma ótima maga, os próprios magos em maior parte não levam ela a sério por ser uma "sangue ruim"), ou o Mapa do Maroto conseguir achar até quem usa a Capa da Invisibilidade (que nessa história se esconde de tudo, não só é invisível), mas não achava o Pedro Pettigrew que só tava, tipo, super bem-escondido e era pra esse mapa ser "onisciente" na escala da escola mágica, e o Pomo de Ouro do Quadribol é tão estranho mas tão falado que, quando eu era completo poser de Harry Potter, eu até achava que ele era o objetivo principal do Quadribol e não, tipo "super relíquia especial" pra desempatar jogos ou acelerar pontuações.
    • Também não odeio o Quadribol, quando eu vi sobre eu até achei legal e criativa a ideia, só não gosto dos nomes tipo Balastro, Gole e o próprio nome Quadribol, que parece muito aquele tipo de nomes que você veria num alien de Rick n Morty ou em alguma maluquice da Fábrica de Chocolate de 1971.
    • Também odeio a inconsistência de que "matar = rompe a alma" usada pro Voldemort fazer as Horcruxes, que talvez por ser simples e ter me dado brecha pra interpretar coisa pior, soava bem idiota, porque essa palhaçada de "só Deus pode tirar a vida" insinua que Cruzadas eram uma heresia e não um movimento devoto à religião, assim como não faria sentido animais selvagens atacarem humanos (se nada na religião condena os monstros como se fosse por maldade, e sim diz que eles são animais mais "básicos" e que tariam dispostos a matar pra se defenderem ou pra conseguir comida), assim como insinuaria que Deus não é bom, e que Deus seria sádico ao ponto de condenar ao Inferno uma pessoa que taria tão quebrada que simplesmente desiste de viver pra cortar o sofrimento, e crise existencial à parte, é inconsistente mesmo se subentendermos que Voldemort só rompe sua alma se matar um inimigo com um Avada Kevavra, isso perde o sentido considerando que Voldemort usa o Avada Kedavra quase como se fosse confete.
    • Assim como obviamente, em idiomas como o Português, tem muitas formas de falar sobre matar uma outra pessoa só de mudar o verbo usado, e provavelmente por isso a intenção original que Rowling quis narrar se perde, porque matar por assassinar alguém (como é o tipo que viola o 5º mandamento), geralmente por prazer, egoísmo, pra depois fazer latrocínio, e etc, seria originalmente esse o sentido, e não é que rompe totalmente a alma, mas pode rachar ela, e o mago que faz a Horcrux usa isso ao meio de separar essas lascas já rompidas, assim como matar alguém por vingança, justiça, ou matar pra comer como um carnívoro selvagem faria, não é o que machuca a alma porque é algo mais "natural ou limpo" de matar.
  • Também, além de nomes HORRÍVEIS de coadjuvantes da franquia (um negro chamado Kingsley Shacklebolt, um judeu chamado Anthony Goldstein (sem falar também dos Goblins descaradamente similares a caricaturas ofensivas de judeus e os lobisomens serem "metáforas ao HIV" mas serem viciados em morder/infectar os outros), uma chinesa chamada Cho Cheng, e uma trans chamada Sir Ryan), há a contradição da Rowling de criar uma história sobre diversidade e sociedade secreta onde minorias (como os magos, que apesar de serem mais poderosos não são bem-vindos nas comunidades trouxas) têm seus benefícios e apoio, enquanto ela é abertamente transfóbica (pintando toda pessoa trans como ruim ou similar aos Comensais da Morte), negar o Holocausto e apoiar nazistas por serem transfóbicos (e falar que morreu gente de mais pra ser real, sendo que isso é sempre a mesma desculpa que fascistas e republicanos usam pra falar que o nazismo não foi ruim → mas convenientemente a extrema direita valida o fato que morreram mais de 100 milhões de humanos nos sistemas soviéticos e usam pra falar que "o comunismo é pior") e ela já convidou o Epstein pra assistir a seus filmes.
    • Essa parte no final é tão absurda que eu até preferi deixar links de notícias pra mostrar que eu não tô exagerando, e se você gosta de Harry Potter mas se sentiu ofendido com minhas críticas, desculpa, a crítica não foi contra você, e se você gosta da franquia mas admite que a Rowling é uma filha da pyta, lembre-se que se você tá comprando produtos da franquia dela, você tá beneficiando ela, talvez você parar de comprar não faça muita diferença contra ela, mas pode fazer uma diferença a seu favor de não tar gastando algo físico ou financeiro seu, ou o seu tempo, pra fazer parte do que silenciosamente valida as idiotices que ela fala ou apoia, afinal foi com o boicote que a própria Rowling sossegou o ku por um momento e ficou menos preconceituosa por um tempo.
  • Assim como falei dos Goblins com um design questionável, tem outro conceito questionável que é de dividir monstros sapiens entre seres (sapientes) e feras (selvagens, tipo animais irracionais), e que é esquisita a ideia de centauros e sereias preferirem serem chamados de feras só porque "ain, o vampiro é colocado como ser então eu não quero tar no mesmo lugar que os vampiros", afinal além disso ser um coping nível birra de criança que não quer a sopa e sim o doce, também é uma parada racista dos monstros (seja racismo contra os vampiros, de colocar que eles não merecem esse título mesmo não sendo inerentemente ruins aqui (eu prefiro vampiros selvagens, mas vampiros humanos sapientes e pilantras são uma ideia muito boa), ou dos centauros e as sereias em si tentando ter um tipo de "pureza racial" e isso não seria ruim da parte da narrativa se ela não romantizasse isso, tratando como se fosse honra desses monstros);
    • Supostamente era pra essa parte dos centauros e sereias odiarem a hipocrisia de acolher vampiros e megeras (megeras sendo as "hags", que são bruxas ao estilo do Leste Europeu como a Baba Yaga e a desculpa da Rowling, mas é estúpido por soar aquele estereótipo do Mágico de Oz, "aquelas as bruxas más são feias"), mas ainda assim é praticamente os centauros e as sereias sendo ingratos com a oportunidade de serem reconhecidos, assim como tira a parte da simpatia, afinal não é que eles tão sendo racistas com vampiros e megeras só porque bruxos são racistas com criaturas mágicas que eles são menos racistas e mais honrados.
    • Também eu não suspeito que os Elfos Domésticos sejam romantização da Escravidão porque a própria franquia critica isso, os Elfos não foram feitos realmente pra isso e sim sofreram gerações de lavagem cerebral pra servirem os magos/"bruxos", assim como tem todo um arco principalmente com a Hermione ajudando os Elfos, assim como antes tinha um tipo de refeitório onde tem um monte de Elfos confiscados de bruxos abusivos e que esses Elfos trabalham fazendo comida, sem falar do Dobby ter uma ligação com o Harry Potter que leva ele a, não só ser liberdade, mas ajudar os protagonistas.
  • Fora isso, é engraçado como as "comidas mágicas" podem surpreender alguém muito novo ou que acabou de conhecer a franquia, e pode ainda tar na memória dos fãs, mas vendo as comidas hoje em dia parecem um monte de ideias bestas.
    • A "cerveja amanteigada" é praticamente um refrigerante de guaraná (uma bebida com cor e espuma pra criança/o mago fingir que tá bebendo cerveja), os sapos de chocolate são simplesmente... sapos de chocolate com vida e que pulam sozinhos, e as jujubas de vários sabores (desde gostos bons aos piores gostos que dá pra ter) parece muito uma ideia que eu veria num desenho da Nickelodeon (cês podem odiar Sanjay e Craig, e eu gostava desse desenho quando eu era um moleque burro, mas dentre as maluquices mais aceitáveis desse desenho tinha umas balas mágicas bem mais interessantes), e assim como o Harry Potter "romantizar os bruxos" é um sintoma do paradigma de associar magia a bruxaria e bruxaria a coisa ruim, também essas comidas "mágicas uau" serem ideias tontas pode ser sintoma da Rowling ser britânica, e sendo sincero, os caras comem pão com feijão, ovo e linguiça no café da manhã, ou comem comida de rua que é simplesmente batata com feijão e queijo cru e acharem que têm culinária boa.
    • Mas em defesa disso, é minúsculas causas, eu reclamei mais como incômodo pequeno e por essa "coincidência" ou "sintomas" de uma literatura britânica.