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Homem-Aranha: O Herói de Todos os Públicos

9 de ago. de 2026

Artes macabras, Morte e idolatria

Esse blog vai combinar a explicação de algumas artes com algo inesperado que eu passei recentemente (embora nada impressionante pra mim), que vou explicando conforme avança abaixo.

O Ciclope, 1898, Odilon Redon
Lembro de quando eu vi esse ciclope num vídeo da Fatos Desconhecidos sobre monstros mitológicos, e no vídeo citaram os ciclopes incluindo o Polifemo, mas pelo visto a ilustração é como se fosse uma história original por si só: Um ciclope selvagem, perambulando, enquanto tem uma mulher (provavelmente uma donzela pura) vulnerável pois está deitada e dormindo, mas o ciclope selvagem olha pra tela, pro expectador, em vez de olhar pra donzela. Nenhum está olhando pro outro, o ciclope só vê um, e você vê os dois, .
O Pesadelo, 1781, Johann Heinrich Füssli
Talvez a explicação manjada é a de que a mulher estirada no chão está sofrendo uma paralisia do sono, inclusive antes dos Íncubos serem "Súcubos machos", eram espíritos que atacavam em paralisia do sono, mas o real "pesadelo" é o cavalo misturado no meio das sombras, pois pesadelo em inglês é Nightmare (égua noturna), assim como haviam simbolismos de demônios em forma de cavalos (como os Kelpies também), ou os Íncubos também serem chamados de mare no inglês antigo.
O Mundo de Cristina, 1948, Andrew Wyeth
Talvez isso tenha me pegado muito porque é basicamente um enorme Espaço Liminar, mas não um espaço liminar urbano (como uma rua ou um parque) e nem fechado (como qualquer sala ou corredor), é um espaço liminar aberto e rural, um dos tipos mais raros de espaço liminar, e pelo jeito que a moça (a tal Cristina) está deitada, ela provavelmente está paralisada e tentando se rastejar. É um horror tão silencioso e tão calmo que só tá tudo bem porque não há nenhuma ameaça nítida.
A Ilha dos Mortos, 1880, Arnold Böcklin
Do meu entendimento, podia ter sido tanto o Reino de Hades (tem até um Caronte ali embaixo carregando alguém) quanto a Ilha dos Bem-Aventurados (um pós-vida descrito por Homero que se trata de um paraíso específico pra heróis que morreram em glória), mas pesquisando tem também inspirações na ilha Pontikonisi (uma ilha grega bem pequena), e também no Cemitério Inglês (que apesar do nome, fica na cidade italiana de Florença - provavelmente pra trollar americano, não duvido), e eu vi que tem versões de dia e de noite, só não entendi se a versão de dia é de um autor diferente ou o Arnold Böcklin fez versões diferentes da mesma pintura. Essa pintura aparece em Signalis, e em uma das cenas até mostra essa pintura junta com uma carta de Amantes, e como a carta de Amantes significa tanto amor e encontros quanto conflitos (no caso a carta no jogo mostrando duas mulheres dando as mãos - há um romance pouco implícito entre a sua Elster e uma personagem misteriosa, mas também você tem que enfrentar um monte de robôs femininas), e na cena que eu tô associando tem essa carta numa pintura da Ilha dos Mortos de dia, pode significar justamente a perda ou desaparecimento (embora não uma morte confirmada) da Ariane, a qual a Elster que você controla tem que ir atrás.

The Hands Resist Him, 1972, Bills Stoneham
Não pensei numa tradução boa ("As mãos resistem a ele" até encaixa mas não parece combinar), mas sobre essa pintura, temos um garoto sério olhando pra frente, uma boneca sem olhos, e atrás da porta umas mãos fantasmagóricas na escuridão. Já vi interpretações dizendo que se trata da infância (algo tipo a inocência de não ver as maldades do mundo), mas pra mim dá pra ser pior: Pode ser que o garoto não percebe que está tão perto de traumas passados, como aquele tipo de trauma geracional, um avô batendo no pai, um pai xingando e humilhando o filho e então o filho menosprezando os sonhos do neto, e a porta está com uma brecha até que grande, indicando que esses traumas estão mais perto ainda de se repetirem. Isso me lembra a música Cradles, do Sub Urban, 2019, que também fala sobre infância negligenciada, a falta de noção do mundo quando se é mais novo, e não perceber o que de ruim os pais estão fazendo ao filho, com o clipe tendo momentos de como se fossem NPC's num teatro (aquele tipo de apatia infantil quando a gente se sente como se fosse a única pessoa sapiente no lugar).
Saturno Devorando Um Filho, 1819, Francisco Goya
Outra pintura manjada, com simbolismo manjado, mas que dá pra eu estender. Francisco Goya estava surdo de ambos os ouvidos, pode ser por alguma doença autoimune como Síndrome de Susac ou algo como Saturnismo (←leia direito, Saturnismo é uma doença envolvendo contaminação por Chumbo (um metal associado ao planeta Saturno, ao deus Crono e ao elemento da Morte), um metal comum nas tintas da época pra aumentar resistência e secar mais rápido), e talvez por isso o Goya fez logo a pintura da cena de Saturno devorando um dos seus bebês, pode não ser simplesmente "o passado destruindo o futuro" como qualquer um pensaria, mas sim o chumbo (metal de Saturno) devorando o próprio Goya.
A Morte e A Menina, 1852, Frans Van Kuyck
Pelo que entendi, o Van Kuyck fez pinturas relacionadas ao campo, ao pastoreio, meninas e mulheres trabalhando na zona rural, e ele que criou o feriado do Dia das Mães justamente em homenagem às mulheres (mães) e meninas (filhas), com um contexto triste sobre a alta mortalidade infantil devido à pobreza das regiões rurais da Europa, e o feriado era comemorado em Agosto quando foi criado numa campanha em 1913 pra essa dita homenagem, e quando foi se popularizando foi passando a ser comemorado em Maio (um mês também importante já que é associado à Primavera no Hemisfério Norte). Eis então na pintura um ceifeiro tão decadente que tá precisando de muletas pra andar, enquanto quem "ceifou mesmo uma vida" foi a menina que está carregando flores, então... o significado pode ser inesperado, pode ser tanto sobre a própria mortalidade infantil (e como mesmo a Morte aí, decadente (subvertendo a ideia belga de ilustrar a Morte como um exército de ceifeiros), indo pacientemente mas também passando por perto da garota em vez de em direção dela) quanto a dominação da Vida sobre a Morte (por termos o ceifeiro decadente ao lado de uma garotinha serena carregando flores, afinal, sendo uma criança ela já representa uma vida nova, e ela pode crescer e se tornar mãe quando viver o bastante, e flores são um outro símbolo de vida).
Eu Tenho Um Plano Especial Para Esse Mundo, 2000, Current 93 e Thomas Ligotti
Esse álbum é bem macabro, a criatura similar a um bobo da corte infernal olhando diretamente pra tela já é horrível de se ver, a música é difícil de se ouvir a letra por causa da voz baixa e robótica (que por si só já é desconfortável e pode representar como se fosse mesmo pra ilustrar um sussurro maligno), e a letra é um poema do Thomas Ligotti (um autor niilista inspirado em HP Lovecraft, e que também tinha ideias anti-religiosas, entre elas algo até mais pessimista que o próprio Lovecraft), enquanto o Lovecraft apenas via entidades superiores e cosmológicas como seres indiferentes porque nós somos menores demais pra esses seres se importarem, Ligotti já imaginava essas entidades, incluindo Deus, como uma entidade que realmente quer ver os humanos sofrerem de alguma forma e por isso existiria a consciência e o livre-arbítrio (isso eu só explicando o que Ligotti achava), algo meio gnosticista, e eu até vi pelo menos um comentário falando que o poema sendo transcrito em música era um dizz diretamente ao Demiurgo (uma interpretação sobre os aspectos malignos ou desonestos do Deus do Velho Testamento, e que criou o plano material e seus habitantes para sofrerem). O tal poema insinua que a vida é só sofrimento, como se fosse mesmo plano do tal Demiurgo ou do Deus Maligno, que o plano seria talvez a automorte, ou talvez se manter vivo só pra tirar sarro do Demiurgo, e há uma parte que me intrigou:
Há apenas quatro maneiras de morrer
Um espírito sarcástico podia ter me dito:
Há a morte que ocorre de forma relativamente repentina
Há a morte que ocorre de forma relativamente gradual
Há a morte que parece ocorrer de forma relativamente indolor
Há a morte cheia de dor
[Eu editei pra "arrancar" os olhos desse bicho porque eu não tava aguentando o contato visual que esse fdp traz]
Eu fui pra igreja com meu pai (que tá me acompanhando nesses Domingos porque, depois do AVC que ele teve no começo de Julho, ele começou a congregar mais pra buscar por bênçãos), e esse Domingo na igreja tavam falando sobre idolatria e então citaram o Bezerro de Ouro, e sobre os hebreus terem montado porque acharam que Moisés morreu no monte de Sinai e Deus abandonou eles. Eu expliquei também sobre como o bezerro de ouro não foi apenas algo ilustrativo ou sobre crenças no materialismo (como o ouro é usado como símbolo de ganância quando fés abraâmicas falam de pecado e idolatria), mas também sobre touros serem símbolos de força e fertilidade no Levante, como era no reino de Canaã ou Fenícia.
O cooperador (que é tipo pastor só que da CCB) ficou surpreso de eu explicar com detalhes tão além do "básico" (entre aspas por ser apenas um termo parecido) que tinha na Bíblia, assim como eu falei sobre o culto vazio a objetos, e não ao que eles representam, também é idolatria.
  • Você usar um terço como foco pra orações é um culto normal a Deus e Jesus, assim como tem também a veneração à Virgem Maria Mãe de Deus.
  • Você orar pra Deus é culto normal.
  • Você rezar pra um santo normalmente é veneração (um tipo de respeito ou apreciação máxima de uma pessoa que está num status sagrado).
  • Mas você cultuar especificamente algum símbolo pq você acha que o objeto que esse símbolo é feito é a parte a ser cultuada (como os hebreus estavam fazendo a Neustã (a serpente de bronze numa cruz de madeira) em Números 21), é um meio de idolatria também.
Eu tava planejando falar aqui sobre mais assuntos, mas obviamente vale mais a pena encaixar num post separado.

Feliz dia dos pais!