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Homem-Aranha: O Herói de Todos os Públicos

21 de jan. de 2022

O baixo roncador

 Sabe quando você está num trânsito, e as pessoas começam a buzinar, muito mais por raiva do que por essa atitude realmente funcionar? Imagina isso, só que sem carros, com pessoas conversando, mas em grupos separados, e conforme um grupo vai falando mais alto, outros vão falando cada vez mais, a fim de se escudarem, mas por perda do controle, eles acabam só falando alto, até que pelo menos uma das pessoas surte e grite mais alto que todas as outras, encerrando o ciclo.
 Esse é um feito do Baixo Roncador, um demônio que, embora não seja uma entidade física, é sempre imaginada como um ogro do tamanho de um elefante adulto, com braços desproporcionais, pernas atrofiadas, o corpo sempre deitado como se fosse uma pessoa com frio, olhos esmagados pelos músculos de suas sobrancelhas, e uma boca sempre aberta. Sua manifestação, ou melhor, seus roncos, são ouvidos como apenas um som infinito, o que pessoas associam a berros de ovelhas, berrantes, fufuzelas, zumbidos de moscas ou, em raros casos, arrotos, e tais roncos dão impulsos nervoso muito grandes, que pode tornar a pessoa mais tagarela, mais agitada ou até mais irritada, e esse surto é contagiante, fazendo cada falante se sobrepor cada vez mais nas conversas, até que pelo menos um deles atinja um pico, e grite, deboche, reclame ou até agrida fisicamente os outros falantes.


 No dia 22/05/1988, um casal de jovens estava conversando sobre o que fazer no verão, e conforme eles iam trocando ideias, eles iam se discordando, e se irritando, enquanto um som grave e irritante rolava nas ruas, até que, quando a mulher ia gritar e bater em seu namorado, o mesmo se defendeu, e gritando de volta, ambos acabam terminando a conversa, e então, eles cancelaram sua viagem, e passaram seu verão em Nova Iorque.
 No dia 23/03/1991, Michael Jackson começou a sentir um estranho zumbido enquanto esteve conversando com um fã em um parque, e então, mais fãs, todos muito jovens, buscavam a atenção de Michael, e Michael Jackson, não conseguindo atender todos, ordenou que parassem, e que falassem um por vez, o que apavorou os garotos mas tudo se acalmou.
 Esses casos mencionados mostram dois tipos de variantes que, quando acontecem, reduzem os danos que o Baixo Roncador causa, em que, no primeiro caso, as duas pessoas atingem o pico de raiva e, se contrariando, eles anulam seu desespero e voltam a si, e no segundo caso, a intimidação do pico de raiva se rebate à pessoa que atingiu esse pico, e ela se acalma junto com os outros. E pelo que parece, quando esse efeito ocorre, o monstro fica mais fraco e mais triste, enquanto os casos que o pico de raiva só deixa a pessoa que atingiu mais irritada, e as outras pessoas, assustadas, só fortalecem esse ser. E conforme as pessoas se desentendem, essa besta fica mais forte, então...

Tomem Cuidado!

Número 39

 Em uma viagem para uma cidade chamada São Canteu, em São Paulo, ano de 2009, Louan de Albergue começa a sentir uma grande, forte nostalgia daquele lugar, isso porque essa tal cidade, por mais que Louan não lembre, é a cidade onde ele nasceu e viveu 10 de seus 39 anos de vida, anos que ele nunca mais irá recuperar, 10 anos que ele já esqueceu para sempre.
 Ele vê a casa 78 do maior e mais perigoso bairro daquela cidade, e vendo que era na verdade sua primeira casa, ele arrisca conferir quem mora lá atualmente, e ele se surpreende que era ainda a mãe dele, que ele havia perdido de vista quando ela se separou de seu pai, e ele, emocionado, a abraça. E depois de uma curta conversa, eles entram na casa e Louan vê que suas 36 pelúcias estavam ali, ainda sujas, mas também estavam um NES, um Sega Genesis e um Nintendo 64, e ele resolve jogar um Mario 64 em seu console, toma um chá e come um sanduíche de frios.
 Porém, quando ele menos esperava, quando ele volta a dormir em sua cama, ele encontra, em um armário de madeira de seu antigo quarto, entre tantos desenhos e cadernos velhos dele, uma pasta de papel do modelo Kraft A4, com dois papéis e, na capa da frente, um enorme número 333 ali, e lendo os papéis dessa pasta, ele descobre um culto que seu pai esteve envolvido.
  • "Eu não posso contar para ninguém, mas eu tenho péssima memória, então eu deverei anotar de alguma forma. Nem meu filho pode saber disso, nem para me ajudar nesse projeto. Eu precisarei de 3 computadores, cada um com uma pasta com 90 gigas de informações, seja visuais, audiovisuais, com as figuras de meu pacto, ou com traços de minha alma... Cada computador terá um vídeo-chave, e esses vídeos gravarão imagens de nosso salvador, vozes de seus anjos e as palavras de sua verdade. Ninguém escapará do nosso deus... Ele virá da forma de uma gigantesca serpente, suas palavras são irrefutáveis, suas chamas matarão quem discordar e suas asas cobrirão o céu para sempre"
  • "Precisarei de 13 homens e 13 mulheres, chamarei eles para um prédio, e irei eliminar todos eles, sim, 26 almas, e eles serão mais que suficiente para canalizar o meu ritual, nem a polícia poderá me impedir... Bairro dos 40, São Canteu, 12/12/2009"
 Após cada texto, havia duas imagens, sendo elas um grande triângulo maçônico, cercado de linhas negras, espaços brancos e um olho extremamente feio, enquanto a segunda imagem da segunda página da primeira folha, possui a apresentação desse tal "deus" que o pai de Louan prometeu invocar, mas antes que ele visse o resto das imagens, a mãe dele aparece, e diz para ele soltar aquilo imediatamente, mas ainda querendo respostas, Louan pede que sua mãe explicasse o que estava acontecendo, e ela, sabendo que seu filho só devolverá os papéis se ela explicar, e que conservar o desconhecimento de tal situação não era uma resposta, ela assume.
 O pai de Louan estava fazendo magia e, por isso, foi divorciado, mas por puro egoísmo, levou Louan embora e nunca mais voltou com ele, e nem o Louan voltou por si mesmo, e o máximo que o garoto tinha era um telefone celular, por onde ele se comunicava com a mãe, e o resto, tudo o pai o sustentava enquanto trabalhava 12 horas por dia, e por isso que ele era presente apenas de noite, mas é claro, o pai era louco, além de bater e abusar do Louan Albergue, ele ainda tentava fazer lavagens cerebrais e lhe contava propagandas políticas completamente estranhas, que quando Louan contava nas escolas ele virava motivo de piada, e por isso, Louan fugiu de casa, chamou a polícia e começou a morar com os poucos que confiavam nele, além de trabalhar com serviços completamente insalubres, como pedreiro e abatedor de porco em Minas Gerais, até que ele trabalhou como entregador de comida com uma carteira recém-assinada, e só a partir daí ele juntou dinheiro para fugir para São Paulo e fugir daquelas insanidadeses.
 Tudo isso levou 25 anos, e suas cicatrizes emocionais o deu um forte ódio pelo seu pai e tudo o que ele adorava, e por isso ele fez o máximo para reencontrar o que ele realmente considerou família, que eram a sua mãe, os seus tios, o seu avô paterno(o último avô a falecer) e a sua irmã mais nova. E irritado com tudo isso, o Louan pede uma ajuda de sua mãe, e ele rasca a pasta e suas folhas, joga no chão de um pátio seco da casa, cujo chão já era de concreto e não de terra e grama, e adia fogo daquelas coisas com um isqueiro, potencializado com um desodorante aerossol, e depois daquela queimada, ele via uma mancha de cinzas muito parecida com o rosto de seu pai da última vez que ele o viu, e Louan chuta aquelas cinzas até que aquilo ficasse reto e sem forma.
 Após isso, Louan e sua mãe dormem, mas Lo sofre pesadelos de seu pai o perseguindo, o capturando e o devorando, e aquela serpente das imagens das pesquisas de seu pai forma uma imensa espiral 500 vezes o tamanho dele, e o devora, e bem na hora da primeira mordida, Louan acorda de susto, ficando acordado das 4:00AM às 6:30AM, horário em que ele se sente mais confortável e dorme. E acordando às 11:00AM, ele prepara seu próprio café da manhã (biscoitos de maisena com café preto) e, antes de ir embora, escreve um bilhete a caneta, coloca numa das portas do armário e vai embora de carro.
 Indo de carro, indo atrás desse tal Bairro dos 40, usando como único guia o GPS de seu celular, ele finalmente o encontra, e vendo a região mais vazia e desolada que tinha ali, ele começa a ouvir ruídos brancos, cantos de seitas e falas sem sentido, e então, saindo do carro com toda pressa do mundo e pulando um muro de concreto reforçado com uma força que ele nunca teve antes, ele corria até os 3 computadores, e os joga um para longe, pisoteia outro, e usa esse mesmo para esmagar mais um computador, e mesmo vendo as imagens apavorantes do terceiro computador, ele não liga, ele só quer acabar com esse culto, e depois, ele cospe no pentagrama até criar uma poça, e com essa poça de cuspe espumante, ele desfaz o pentagrama.
 Mas achando que era só pegar o carro e ir embora de volta, ele se vê preso ali entre aqueles quatro muros de concreto de 2 metros de altura, e mesmo ele tendo 1,78m de altura, ele não tinha muita habilidade acrobática, e então, tendo uma ideia digna de uma lâmpada imaginária aparecer acima dele, ele pega várias pedras grandes e as leva até o muro, e pulando essas pedras e o muro, ele entra no carro, liga ele e vai embora, de volta para sua casa. Mas algo muito estranho ocorria enquanto isso... Aquela cobra que o pai de Louan tinha prometido invocar, tinha sido conjurada por adeptos dele dois dias atrás, um mês inteiro antes do previsto, e por isso, aquela criatura poderia estar à solta no mundo, ou no mínimo em São Canteu, e então, Louan, desviando de seu caminho de casa, ia à procura desse monstro, e vendo uma cobra de carne podre e derretida subindo uma casa, ele buzina com toda a sua força, chamando atenção da cobra, e correndo mais de 600 quilômetros em muito pouco tempo, ele despista a cobra em um quarteirão e, dando uma volta no mesmo, ele vai acelerando, acelerando, e acelerando mais ainda, até que ele atropela aquela maldita cobra vermelha, marrom e preta, e uma mistura imensurável de carne com pus saía rolando na rua. E para não ser percebido, ele vai num lava-a-jato, limpa seu carro inteiro e depois leva seu carro para um mecânico aparar a frente do carro.
 Indo para a casa somente às 14:25, ele vê sua mãe desesperada, e com muita dó, ele sai do carro e a abraça, dizendo que está tudo bem, e só vai melhorar.

Fim!