- Nas fés africanas como Umbanda e Candomblé, os orixás eram deuses, mas durante o sincretismo e no caso de escravizados catequisados na época colonial, os orixás foram reduzidos a santos enquanto ainda eram mantidos os rituais e cerimônias.
- Sobre Umbanda e Candomblé, as oferendas de macumba não surgiram necessariamente pra alimentar mendigos ou escravos fugitivos, a prática de oferendas em encruzilhadas já existia antes do Brasil colônia e depois foi aproveitada pra esse disfarce.
- Também pelo que eu pesquisei, macumba é associado a magia africana ou então a magias malignas, mas surgiu do nome de um instrumento, e cujo nome em si é incerto, podendo vir do quibundo "ma'kôba" ou "mukumbu", e macumba como feitiçaria africana vem do quicongo, combinando "ma" (um prefixo que torna em plural) e "kumba" (que pode significar tanto "fazer o mal" quanto "lançar magia").
- Curiosidade: no Pajubá (dialeto LGBT brasileiro), tem elogios como "boy magia" (moço bonito médio) e "boy magia cigana" (moço muito bonito; isso porque a maioria das magias benéficas conhecidas, como simpatia e quiromancia, surgiram do sincretismo cigano), enquanto ofensas incluem "boy magia negra" e "boy macumba" (não pensando no generalização pejorativa contra magias de matriz africana, mas por boa parte dessa origem das macumbas pra enfeitiçar ou amaldiçoar).
- Festivais como Festas de Largos, Congadas e Retiradas de Caiapós (que unem índios Caiapós e negros) também possuem características padrão de tambores, ritmos e vestimentas africanas.
- A própria valorização espiritual de ancestrais por si só se uniu com a ideia católica de santos, e a crença sobre plantas sagradas começou a fazer parte também do cristianismo, incluindo as rezadeiras e benzedeiras (um tipo de curandeiras católicas).
- Dos feriados, no Brasil eu sei que a Festa Junina combina veneração a São João Batista e a fogueira é baseada no pássaro de fogo da lenda de Guaraci e Jaciara.
Sobre curandeirismo, curandeiros são uma variação de xamãs (xamã vem duma palavra do dialeto siberiano, significando algo como "quem vê no escuro" (escuro obviamente espiritual, não literal)) que se dedicam a curar pessoas de maldições e a combater bruxas e bruxos, vou evitar focar nos charlatões falsos curandeiros que eu já falei antes [link aqui] e falarei aqui sobre os curandeiros da prática espiritual real.
Entre os métodos de cura, estão os chás, poções, ervas e vegetais, em alguns casos também inclui cascas e raízes.
Entre os métodos de cura, estão os chás, poções, ervas e vegetais, em alguns casos também inclui cascas e raízes.
- Alecrim sendo uma flor usada pra tônicos que melhoram memória e revitalizam o corpo, sendo energético e antibiótico natural.
- Sálvia sendo usadas pra anti-inflamatórios, regulava suor e corrigia indigestão.
- Erva Doce (Funcho) era comum na diminuição de gases, melhora digestiva e também ajuda mulheres a darem leite.
- Tomilho era uma erva usada pra combater doenças, seja gripe ou bactérias.
- Tília é calmante e trata dores.
- Hortelã era usada como anticongestionante, melhorando respiração, e sendo refrescante podia ser até anestésica ao calor, além de tirar bafo.
- Falando em bafo, flores cheirosas eram consideradas sagradas, não só porque coisa cheirosa é boa, mas porque acreditavam que o fedor era suficiente para causar doenças, por isso na alquimia antiga e medieval perfumes eram tão valorizados.
- Nota lateral: Na Idade Média o pessoal tomava mais banho do que o estereótipo diz, já existiam por exemplo banheiras em bacia ou também sabões artesanais (misturando gordura e cinzas pra base física, e aromatizando com ervas frescas), a burrice de acharem que banho dava doenças ocorreu na Renascença na Europa Ocidental e Central, incluindo França, Inglaterra, Espanha, Portugal, Itália e Alemanha, mas surgiu muito mais porque achavam banhos coletivos imorais e associavam muito os banhos diários aos muçulmanos.
- Tanto que, por exemplo, os maias queimavam incenso pra se livrarem do fedor dos espanhóis e isso foi mal interpretado por coloniais mau-caráter que acharam que os maias estavam idolatrando os espanhóis, e misturando com a coincidência da cor branca era associado ao Quetzalcoatl e cada deus de cada ponto cardeal era de uma cor (Xipe Totec sendo o deus vermelho e do Leste, Tezcatlipoca sendo o deus preto e do Norte, e Huitzilopochtli o deus azul e do Sul), e como pode ver as cores não eram de etnia e sim literais considerando que tinha um deus vermelho e um deus azul.
- Mandrágora, meimendro e belladona eram sedativas e podiam ser usadas como anestesia, e bruxas usavam em drogas (por exemplo as poções do amor ou pomadas de licantropia).
- Oliva/azeitona era também usada para hidratar e proteger a pele na Grécia Antiga, antes usada como um protetor solar natural ou hidratante comum.
- Das especiarias indianas, o gengibre é bom pra tratar gripe e inflamação, canela é antioxidante e anti-inflamatória, pimenta acelera metabolismo e cravo pode matar fungos, vírus e até diminui gases.
- O alho também sendo um ótimo anti-inflamatório, antibacteriano, antifúngico e antiviral, além de matar parasitas, tirar gases, eliminar bafo e lavar a boca (eu já mordi alho quando eu suspeitei que tava com parasita por causa de uma fome estranha que eu tive, e... era tão forte e tão ruim que depois quando eu ia comer alho eu preferia engolir sem mastigar, mesmo eu não recomendando isso).
Sobre curandeiras e benzedeiras, um tipo de curandeiras católicas no Brasil, elas usam esses saberes ancestrais, que curam rituais indígenas com fé cristã, para curar mau-olhado (maldição causada por inveja), quebranto (fraqueza espiritual), espinhela caída (tinha uma crença de como se tivesse um osso ou nervo na boca que, por cansaço extremo, cairia no estômago; e esse termo é um apelido para cansaços extremos acompanhados de dores no peito e nas costas) e sintomas leves (como febre e dores). Rezadeira usa mais palavras e orações, já Benzedeiras usam mais objetos, seja plantas ou então objetos religiosos como cruzes e terços de rosário, e no Brasil podiam incluir ramos e folhas de:
- Arruda, muito usada para afastar energias negativas, inveja e o mal-olhado.
- Vassourinha, empregada em rituais de varredura espiritual e limpeza de males do corpo.
- Manjericão, utilizado para trazer harmonia, paz e acalmar o espírito.
- Pinhão-roxo, comum em benzimentos fortes de proteção e para tratar males da pele.
- Guiné, mista como um escudo contra influências espirituais densas.
- Alecrim (olha ele de novo), usado para promover clareza mental, alegria e em defumações.
Às vezes essas plantas são tiradas um galhinho da planta, que depois é passado no corpo do paciente durante uma oração, e é comparado como se estivesse varrendo de fato o corpo e a alma da pessoa, acredita-se que o galho murchar durante a prática representa o mal indo embora (seja a planta absorvendo ou gastar ela pra tirar o mal da pessoa).
Outra opção, mais conhecida, envolve misturar e ferver com água, fazendo um chá curativo simples, que pode tanto dar certo pelos benefícios físicos, quanto ter em parte um efeito placebo (quando algum remédio falso ou uma superstição seguida cura a pessoa na base do inconsciente).
Vou aproveitar esse assunto (já que citei quando falei dos objetos das benzedeiras) pra falar sobre o terço.
Vou aproveitar esse assunto (já que citei quando falei dos objetos das benzedeiras) pra falar sobre o terço.
- Surgiu na Idade Média como uma alternativa aos 150 Salmos, principalmente para fiéis analfabetos ou monges leigos (leigo no caso não no sentido de serem ignorantes, mas sim de iniciantes) que não conseguem ler os Salmos da Bíblia.
- Também é um artefato religioso comumente associado a São Domingues como um símbolo do combate a heresias, principalmente por ser considerado um meio de oração comum no catolicismo.
- Cada terço tem 50 bolinhas menores, cada dezena de bolinhas para oração da Ave Maria e divididas entre bolinhas maiores dedicadas ao Pai Nosso, e cada sequência dessas orações dura mais ou menos 20 minutos, também chamados de Mistérios.
- Mistérios Gozozos (NÃO RIA! Gozo originalmente significava alegria e riso): Orados nas Segundas-Feiras e Sábados, do nascimento à infância de Jesus.
- Mistérios Dolorosos: Orados nas Terças e Sextas-Feiras, sobre a paixão, sofrimento e morte de Cristo, uma das dezenas representando Jesus no Jardim de Oliveiras (Getsêmani)
- Mistérios Gloriosos: Orados nas Quartas-Feiras e Domingos, representando a ressurreição de Jesus, como pode ver inclui dias de virtude (Quarta-Feira de Cinzas e Domingo de Páscoa).
- Inicialmente eram 3 terços, o quarto terço (4/3) vem do Papa João Paulo II em 2002.
- Mistérios Luminosos: Orado nas Quintas-Feiras, entre os Gozozos e Dolorosos, referente á vida pública (tipo a narrada pelos Apóstolos) e seus milagres em vida.
- Com as 20 dezenas, do rosário inteiro atual, as orações podem chegar ou passar de 1 hora e 20 minutos, assim como a oração do terço pode ser usada inclusive durante peregrinações (não só orar no templo ou ao chegar ao ponto que for peregrinar).
- Como pode ver, no catolicismo num geral há uma forte valorização do símbolo da Virgem Maria, seja por ela ser uma Theotokos (Mãe de Deus em grego), uma intermediária divina (assim como a veneração não é idolatria, uma explicação que eu vi pras orações pra Maria ou variações de Nossa Senhora é um equivalente metafísico de conversar com a mãe de uma pessoa pra facilitar chamar a mesma, no caso conversando com a Mãe de Deus), além do contraste à Eva (que enquanto Eva desobedeceu a Deus e trouxe pecado ao mundo, Maria foi mãe da própria salvação do mundo).
- Fui ver aqui e existe um termo latino chamado Fiat (que significa "faça-se", no sentido de fazer o que Deus manda), e fiquei curioso com a similaridade com o nome FIAT (Fabbrica Italiana Automobili Torino), da empresa italiana de carros.
Eu também queria falar mais sobre os curandeiros Navajo porque há fotos de Navajo que o pessoal pega e fala que é skinwalker, seja dos deuses deles ou então de curandeiros, algo que eu até usei para pesquisar fotos e adicionar junto com esse contexto num post do Fantasipédia [link aqui].
Até mais