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Homem-Aranha: O Herói de Todos os Públicos

15 de jan. de 2026

Ervas e Ouro, as Confissões da Bruxa

"Qual é o seu nome?"
"Roseourge, bruxa de Avignon"
"O que você fazia antes de estarmos aqui?"
"Trabalhava na Parfums de Demain"
"Isso não será o suficiente"
 Um dispositivo de madeira e molas de aço é usado pelo carrasco para apertar os dedos, a Roseourge chorava baixo enquanto sentia a dor em seus dedos, ela demorou para admitir, ela se sentia que merecia parte da punição.
"O que você fez para Estar aqui?"
"Eu descobri o feitiço proibido, mas que outros alquimistas tanto se sacrificaram para procurar, por favor, me deixe explicar mais, e deixe meus empregados longe desse assunto"
"É isso? Uma magia não sancionada pelo Condado de Provença? Então, nobre bruxa registrada, me conte mais"
"Eu posso sair caso admitir mais?"
"Não, a Casa nos disse que, se for verdadeira a acusação, você irá morrer em praça pública, e as provas já foram registradas"
 O carrasco tira o dispositivo das mãos da bruxa, e faz a cadeira descer a um tanque d'água que se abre num mecanismo complexo, mas a bruxa, nervosa, é colocada sob a água por uns segundos, a água se movia de forma diferente, em reação à energia da bruxa, mas não o bastante para afastar toda a água, ela era molhada, afogada e gelada por esse tempo, e volta.
"Não precisava disso"
"Eu só quis ter certeza"
"Você é um idiota, mas então, era 13 de Fevereiro, numa solução de cristais de fogo e água que, com queimar junto com o chumbo em uma forja filosofal da minha casa, o metal se voltou dourado e limpo, com isso eu só precisei de um ourives para derreter o minério em moedas, mas essa magia seria taxada se descoberta, não é mesmo?"
 Roseourge olhou ao redor, em uma pausa para respirar e pensar um pouco, mas o carrasco, tirando algumas ervas helênicas e etéreas que davam um cheiro refrescante à câmara, amassava umas folhas e dava para a Roseourge morder.
"O que mais?"
"De Segunda a Sábado, eu chamei umas irmãs curandeiras, que vigiavam e cuidavam dos camponeses, e juntamos em uma farmácia, a Parfums de Demain, e por isso, eu pensei que isso iria disfarçar o orçamento"
"Mas por que? As folhas e as poções já iam render muito para vocês"
"Pois por que há tantos camponeses morrendo mesmo eles sendo a fonte de comida dos reis, ao ponto de precisarmos da gente para continuarem bem? Afinal, é necessário dinheiro para pagar contas e bancar algo na loja"
"Isso é estranho, mas e a praga de cogumelos que ocorreu no nosso feudo esses últimos meses?"
"Não mude de assunto, você agora sabe o meu motivo, provavelmente está tentando me dar uma chance, mas o que vocês iriam ganhar ao me forçar a mentir, como forçou a pastora Linioneida a dizer que assassinou os próprios filhos, e depois vocês descobriram que foi obra do irmão dela, aquele sodomita, mas quem sabe, em compensação, você quer uma brecha na minha versão para me poupar e..."
"Não mude de assunto!"
 O carrasco gira uma manivela, forçando um garrote a se fechar e apertar o pescoço dela, ela bate seu dedo médio esquerdo no pescoço, um sinal das bruxas para dizer "desculpa", mexia de forma rápida e desesperada, e o carrasco para e abre o dispositivo, ela volta a respirar.
"Termine a história"
"Eu juntei mais humanos para espalharem nossos cuidados, incluindo uma mistura aromática que pôde retirar a Peste Negra dos homens e mulheres da região, com as mesmas roupas vermelhas das curandeiras da farmácia, e por isso tornei-a tão popular, porém, pelo visto o rei gordo ficou interessado demais na nossa renda, e tive que juntar mais chumbo, para fazer mais ouro, e disfarçar que estávamos mantendo a demanda"
"Então, o ferreiro Jean François te dedurou porque não aguentara a pressão para conseguir esse chumbo?"
"Perdoe ele, ele não tem culpa, nossa farmácia já estava lucrando mesmo quando nossos negócios estavam caindo, provavelmente o ourives está preso em outro lugar"
"O ourives será solto junto com os seus operários, como você ofertou"
"O-obrigada"
 Na manhã seguinte, o carrasco já tinha afiado a espada, a bruxa Roseourge de joelhos esperava sobre o palco da execução, vendada, e antes da espada passar em seu pescoço, um brilho verde de um olho, e amarelo de ouro, saía de seus olhos, e terminava com a cabeça caindo no chão. Os humanos ficaram em choque, as bruxas em silêncio, mas os operários tinham que continuar, o máximo que eles ouvem sobre ela novamente é a recepção de um busto de pedra com talhas de ouro, em homenagem a Roseourge, de um "entregador secreto" segundo o mensageiro, mas que os médicos desconfiam qual ourives podia ter sido, então, o busto foi colocado em uma mesa e ao redor de algumas ervas e pimentas, formando um altar em sua homenagem, e um símbolo novo da farmácia, e assim como os impostos diminuíram no Condado, nem os nobres achavam o altar uma má ideia.
 O carrasco desapareceu à noite, mas na câmara escura, onde um novo carrasco foi contratado e operava, sempre visitava ali um pombo branco com manchas verdes e olhos amarelos, o que, de tão raro e misterioso, na região passou a ser um tipo de símbolo tanto de um mau presságio quanto da inocência de um detento, e as bruxas riam da ironia desses eventos, nos Sábados nas florestas.

Fim!