2 de fev. de 2026

O Homem Que Vendeu a Vida

 O ano era 1960, em Maryville, Colorado, o vendedor Solomon Miller esteve fazendo muitos sucessos com suas vendas. Na época do grande Sonho Americano, o mesmo trabalhava em escritórios com máquinas de escrever e comprava relógios para a sua coleção, o que seu pai ridicularizava, pelo mesmo achar que, só porque o tempo era relativo, relógios eram inúteis porque o tempo podia ser qualquer um, e também por achar que o primo de Solomon, Samson Miller, um grande jogador de baseball e futebol-americano, e o outro primo, Elijah James, um médico casado com uma padeira, eram superiores e logo o Solomon deveria ser igual a eles.
 Solomon, ou Solo como seus amigos de infância e a sua mãe chamavam, estava interessado na vida de vendedor autônomo, então, em um Domingo qualquer, o Solomon comprou canetas de diferentes cores, umas 10 vermelhas, 12 azuis, 15 verdes e 20 pretas, cada uma por 50 centavos, e indo de porta em porta, convencendo as madames sobre ter achado essas canetas de um canto longe da cidade e poder ajudar nas anotações delas ou tarefas de escola de suas crianças, convenceu rápido elas a comprarem, cada uma, por 3 dólares, o lucro foi de 117 dólares e 50 centavos em um dia.
 Durante os horários de folga dos dias de trabalho, Solomon tinha dúvida se as maçãs, os morangos ou as cerejas dariam tortas ou sucos melhores, mas ele ainda assim compra cerca de 3 gramas de cada uma. Na sobremesa do macarrão que ele fez umas tortas de cereja, de maçã e de morango, e guardou elas em sua geladeira, comendo uma fatia de cada uma para provar.
 A torta de maçã ele doou para seus vizinhos Adam Maxwell e Evelyn Smith, esperando que eles não fiquem mais bravos com ele, a de cereja fica com ele durante a semana e, enfim, a torta de morango, que mesmo dando certo foi a que ele menos gostou, ele cortou o restante em 7 fatias, guardou cada fatia em um pote de plástico em que coubesse, e vendeu para as mesmas moças de antes, entre as sete que compraram elas pagaram 2 dólares, menos a sétima que pagou 4 dólares, no entanto, ele também tinha comprado também umas 10 garrafas de tônico de café Bing Bang, e revendeu pelo dobro do preço para uns colegas de trabalho, conseguindo 56 somando as vendas, no entanto, pouco antes dele entrar na casa que voltava, Adam o avisa sobre "uma figura de roupa preta está indo atrás dele", o que Solomon estranha, entendendo que era uma "figura de pele preta" e acha que eram só "os mesmos negros de sempre".
"Não! Realmente era uma roupa preta, e uma máscara dourada, ele estava encarando-me na janela, mas quando você veio, ele sumiu... Espero que tu não tenhas nada a ver com essa figura"
 Solomon tem um pesadelo envolvendo esse ser, de roupas pretas, e na verdade, uma máscara preta, essas peças com detalhes e listras dourados, contando a ele sobre uma "tragédia eminente" a caminho dele, e quando amanhece, quando ele ia voltar a visitar seus colegas pouco antes de se demitir, o chefe lhe dava uma má notícia, dizendo que seu pai está muito doente, e quando Solo, muito triste, foi visitar ele, e o Solomon viu a mesma entidade que viu no pesadelo, visitando o pai do Solo enquanto segurava uma vela, e quando a vela se apagava sozinha, a entidade, chamada Talon, sussurrou-lhe algo horrível, e o Solomon, triste, acabou chorando.
 Anos depois, em 1969, Solo se casou com uma mulher comum da região e teve filhos gêmeos, Patrick e Charles, porém, durante um Inverno, Solo estava extremamente gripado, e pelos cigarros que ele fumava, as tosses eram piores, além da dor do peito e falta de ar mais frequentes, Talon apareceu para ele, segurando uma vela, e Solomon, entendendo o significado, tenta conversar com a entidade, e em suma, eles dialogam sobre aproveitar mais uma vida curta, ou uma vida triste mais longa, mas o Solomon pergunta "Por que não uma vida boa e longa?", e o Talon responde, sabendo o seu idioma, "Boa ideia", ele pega uma outra vela, e passa seu fogo e cera na primeira vela, e depois, Talon se despede, enquanto diz que isso irá pesar mais no coração de Solomon do que a dor daquela doença.

[Essa cena é válida tanto para o que você leu agora quanto uma cena futura abaixo]
.--- ..- --- -.-- / ...- -.- -.-- ..- -.-- --..-- / .--- .- --. -.-- / ... -.- .--- --- .--- --. -.--
.- ... / ... -.- -..- ..- / -. ..- ... -.- ... / -.- -.-- ...- -.- -..- --.. ..- / - .- ..- / --.. -.- ... / ...- ..- .--- -.- -..- / -.-- ..- .... -..- -.- / --. / ... ..- -..- --.. -.-
 Um Ford Mustang meses depois bateu no Chevrolet Corvair de Solo, que estava levando seus pequenos para a escola, o Charles se machucou um pouco mas o Patrick ficou até mesmo inconsciente, o dono do carro tentou insultar o Solomon e também o acusar de ser um "barbeiro", um péssimo motorista, e ao ouvir que Solomon "dirigia que nem uma mulher", Solomon fica furioso, saía do carro e socava o motorista do Mustang na boca, na região do estômago, e 3 joelhadas em seus "ovos", e Patrick leva Charles para a escola e Patrick para o hospital.
.- -. --.- -. / . / .- -... .. -... / --.- .-. --- -. ...- -.- -... / --.- -... / ..-. -... -.--
 Solomon estava desesperado ao saber que seu filho Patrick estava em coma, tentou brigar com os clínicos e as enfermeiras, mas foi segurado, e tirado para fora do hospital, e esperando sentado na calçada, via Talon chegando até ele de novo. O Solomon tenta, em desespero, oferecer o que tirava de sua bolsa, incluindo os relógios que ele colecionava. Talon gostava daqueles relógios e anéis que o Solomon comprara e aparentemente iria comprar para vizinhas ricas como ele fazia anos atrás, assim como as garrafas de tônicos de força ou de apetite, uma garrafa de suco de oxicoco que a esposa fez para o Solo beber durante a viagem, gravatas e também umas canetas azuis e vermelhas, porém, não tinha nenhuma opção que o Solomon poderia vender para Talon em troca de extender.
 Poderia haver como vender tudo aquilo para salvar seus filhos de um mal físico, mas Solomon mexeu com algo metafísico, e não iria resolver o suficiente, a não ser com um milagre, Solomon pede para Talon se aproximar, e ele sussurra pra entidade um último pedido.
 À tarde, a esposa estava em choque, via Samson no Corvair de Solo, e que buscou os filhos dele, ele diz que era um favor que ele foi chamado pelo Solomon a fazer, o Patrick estava bem, só enfaixado na altura da testa, e o Charles estava sem nenhum arranhão, e a bolsa de Solomon estava sem os materiais, só tinha dinheiro, ainda que muito, apenas dinheiro e a sua antiga aliança de ouro, a esposa de Solomon estranhava aquilo, era como se fosse um sequestro, mas Samson deixa para contar a ela depois das crianças irem para o quarto.
 Samson só entendeu a "coincidência" do Solo ter morrido ao mesmo tempo que Patrick tinha se recuperado do cona e Charles estava curado dos machucados do acidente e de umas brincadeiras de rua, mas Solomon não contou dele ter arriscado a vida de seus filhos para viver mais um tempo, mas numa manhã tão nublada, tão estranha, com tanto vento, tantos medos, ele ter se desfeito daquele trato anterior, em uma rua diferente da encruzilhada que ele viu a entidade no Inverno, para deixar seus filhos em segurança, só pedindo um tempo para pedir seus primos a darem apoio à sua família.
 Talvez assim Solomon Miller pudesse descansar depois das decepções.

Fim!